Em 2000, um adolescente sentado em uma lanchonete de McDonald’s viu um amigo com uma camiseta que parecia um chapéu de guerreiro nativo americano. Perguntou o que era. A resposta mudou tudo: "É um jogo. Você não conhece?" O jogo era *Baldur’s Gate 2: Shadows of Amn*.

Foi a primeira vez que me imergi no mundo de Faerûn, criado pela BioWare com base nas regras do Dungeons & Dragons. Naquela época, eu mal sabia o que era D&D. Mas o jogo — com sua trilha sonora épica, narrativa profunda e combate em tempo real com pausas — me cativou de forma inesquecível.

Hoje, 26 anos depois, a BioWare não existe mais. A notícia do fim da empresa me fez refletir sobre como *Baldur’s Gate 2* foi o catalisador de uma trajetória inteira: desde o primeiro contato com a fantasia até escrever sobre D&D, entrevistar criadores como Ed Greenwood e organizar campanhas de RPG semanalmente.

O jogo não só reinventou os RPGs digitais, mas colocou a história no centro da experiência. Ao contrário de jogos lineares, *BG2* oferecia liberdade: uma missão principal urgente, mas mil razões para explorar Athkatla, se envolver com personagens secundários e descobrir histórias escondidas. A mecânica de coletar 10 mil moedas para a guilda dos ladrões não era só um gating — era um convite para viver o mundo.

Apesar de títulos posteriores como *Neverwinter Nights*, *Mass Effect* e *Dragon Age* terem trazido boas histórias, nada repetiu o encanto único de *Baldur’s Gate 2*. Foi ali que nasceu minha paixão por narrativas épicas, personagens complexos e o universo de D&D — uma paixão que me ajudou a fazer amigos, me mudar de país e até conseguir este emprego.

Grato à equipe original: James Ohlen, Kevin Martens, Brent Knowles e todos os que fizeram o jogo existir. Ainda hoje, mesmo depois de tantos anos, *Baldur’s Gate 2* é um dos jogos mais influentes da minha vida — e talvez do gênero todo.

Marca: www.polygon.com