Final Fantasy 7 não é o tipo de jogo que vem à mente quando pensamos em fábulas — nada de castelos medievais, príncipes ou princesas. Mas, segundo o Polygon, o título da Square Enix é, na verdade, uma das maiores fábulas da história dos videogames, com estrutura e temas que se encaixam perfeitamente no gênero.

1. A cidade como castelo

Em vez de Camelot, o jogo tem Midgar — uma metrópole industrial gigantesca dominada pela corporação Shinra. Com seus altos reatores de Mako e uma torre central imponente, a cidade funciona como o coração do poder e da opressão, assim como um castelo simboliza o domínio na tradição das fábulas. É um centro de riqueza, controle e corrupção, que exerce influência sobre todo o destino do planeta.

2. O herói improvável

Cloud Strife não é um príncipe ou um santo. Ele é um ex-soldado com identidade fragmentada, que se torna o centro de uma jornada que ele nem quer viver. Ao contrário de Arthur, que descobre ser o verdadeiro herdeiro, Cloud descobre que não é quem pensava — e isso o torna ainda mais humano. Sua luta contra o próprio passado e a insegurança o torna um herói realista, com falhas e dúvidas.

3. A magia do mundo real

Em vez de feitiços mágicos, o universo de FF7 tem o Mako — uma energia extraída do planeta, semelhante ao petróleo em sua natureza e ao Force de Star Wars em seu poder. Essa mistura de realismo e fantasia mostra como a magia pode ser uma metáfora para exploração, consumo e destruição ambiental. É uma fábula que fala de consequências, não de milagres.

4. O vilão que sussurra

Sephiroth não aparece como um monstro de conto de fadas, mas como uma presença psicológica. Ele manipula os personagens por trás das cenas, usando alucinações e memórias. Sua obsessão com Cloud parece mais uma vingança pessoal do que um plano cósmico — como um feiticeiro que não quer o poder, mas o ressentimento.

5. Criaturas fantásticas com alma

Red XIII, o lobo com traços de gato e cachorro, é uma das figuras mais marcantes. Ele não é apenas um companheiro de equipe: é um ser com história, cultura e sabedoria. Sua jornada até Cosmo Canyon lembra o treinamento de Luke com Yoda — uma revelação de que o planeta tem uma alma, e que a luta de Cloud vai muito além da vingança.

6. Um mundo onde o mal está no sistema

Os verdadeiros vilões não são monstros, mas estruturas: a Shinra, o capitalismo desenfreado, a exploração de recursos. Isso transforma a narrativa em uma crítica social disfarçada de fábula — onde o herói não precisa matar um dragão, mas enfrentar um sistema que destrói o planeta.

7. Uma história que ressoa há décadas

Final Fantasy 7 não é só um jogo. É uma lenda moderna, que mistura drama, fantasia e realismo. Por isso, mesmo após 27 anos, continua relevante. Ele mostra que fábulas não precisam ser infantis para serem profundas — e que um herói com um corte de cabelo legal pode ser tão importante quanto um rei.

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