Uma das minhas missões favoritas em The Witcher 3: Wild Hunt não é sobre o Barão Sangrento — embora ele também seja incrível. É sobre um vampiro que só bebe sangue de bêbados. Sim, realmente.
Na missão "O Bêbado de Oxenfurt", Geralt descobre que uma série de assassinatos com sangue drenado tem um padrão: todas as vítimas estavam bêbadas demais para dirigir. O que leva à conclusão inusitada: o monstro é um vampiro que prefere sangue com álcool. O que resulta em uma das cenas mais hilárias da série — Geralt, embriagado, cantando músicas provocantes em tavernas, tentando atrair o assassino.
É um momento de humor, criatividade e um dos poucos momentos em que o jogo realmente se permite brincar com a lógica do monstro. Mas, ao mesmo tempo, mostra algo que o jogo não explorou por completo: o potencial de tornar a investigação um sistema jogável, não apenas uma sequência de pistas que levam a um nome no Bestiário.
Hoje, o processo é simples: Geralt encontra rastros, um cadáver, um bilhete — e depois diz, em voz alta, o nome do monstro. O Bestiário se atualiza automaticamente. Sem esforço. Sem tensão. Sem descoberta.
Eu queria que o jogo me deixasse fazer isso. Que me entregasse um Bestiário completo no início — um livro antigo, cheio de anotações, onde eu pudesse pesquisar, comparar e até escrever minhas próprias teorias. Que, ao chegar no local do crime, eu tivesse que analisar as pistas: tipo de ferimento, horário, localização, comportamento. E só então decidir o que estou enfrentando.
Se o monstro é um vampiro que gosta de álcool, por que não posso planejar uma armadilha com vinho envenenado? Ou me disfarçar de bêbado para caçá-lo? O jogo já mostra que é possível — só que não me deixa participar do processo.
Com Ciri como protagonista em The Witcher 4, essa mudança teria ainda mais sentido. Ela ainda está aprendendo. Ela não tem o conhecimento imediato de Geralt. Isso abre espaço para um sistema de pesquisa mais profundo, mais imersivo — algo que o jogo ainda não ousou fazer.
Outros jogos, como Baldur's Gate 3, já mostraram que os jogadores adoram se envolver com deduções, leituras e investigação. Não é difícil. E, mesmo que alguém errar, existem guias, fóruns e comunidades prontas para ajudar.
Então, sim: se o Witcher 4 tiver uma missão como a de Oxenfurt, quebrando o padrão, eu quero poder descobrir o monstro sozinho. Quero sentir o peso da escolha. Quero que o meu cérebro seja tão importante quanto a minha espada.