A Amazon acaba de anunciar sua nova linha de tablets Fire, com modelos de 8, 11 e 12 polegadas, marcando um avanço importante: pela primeira vez, os dispositivos contam com acesso ao Google Play Store. Isso significa que usuários podem instalar apps e jogos diretamente do ecossistema Android, além de receber atualizações mais confiáveis — algo que faltava em versões anteriores, que dependiam exclusivamente do sistema próprio da Amazon.

Apesar do progresso, o lançamento surge em um momento onde o mercado já está saturado com opções mais potentes. Os modelos básicos começam em US$ 249,99 (sem anúncios na tela), com o topo da linha, o Amazon Alexa Tablet 12 Pro Matte, custando até US$ 679,99. Essa faixa de preço coloca o dispositivo em competição direta com tablets como o Lenovo Legion Tab Gen 5 e o RedMagic Astra 2, que usam chips Snapdragon 8 Elite e oferecem melhor desempenho em jogos mais exigentes.

Os chips utilizados — Dimensity 8189 nos modelos menores e Dimensity 8400 no 12 Pro — são eficientes, mas não se destacam em tarefas pesadas. O GPU Mali-G615 MC2, presente nos modelos 8 e 11, tem dificuldade com jogos em configurações médias, enquanto o Mali-G57 MC2 é ainda mais atrasado. Isso limita o apelo para jogadores móveis que buscam experiência de alto nível.

Outros concorrentes já oferecem vantagens claras: o Samsung Galaxy Tab A11+ vem com 128GB de armazenamento por US$ 250, e o Lenovo IdeaTab tem tela de 90Hz, enquanto a Amazon ainda não divulgou a taxa de atualização da tela do modelo básico.

Para o consumidor brasileiro, o preço de entrada em torno de R$ 1.300 (sem impostos) coloca o tablet em disputa com opções locais, mas o fator limitante continua sendo o desempenho e a falta de suporte a jogos mais pesados. A Amazon está tentando se posicionar como uma alternativa acessível para uso cotidiano, mas o atraso no lançamento de recursos esperados — como OLED e 12GB de RAM — pode dificultar sua penetração no mercado de jogos móveis.

Em resumo, o novo Fire é uma evolução positiva para quem quer um tablet simples, com acesso ao Google Play, mas pode estar atrasado demais para conquistar jogadores que buscam mais do que apenas streaming e navegação.

Foto: Wayan Vota / Openverse