O Witcher 3: Wild Hunt, da CD Projekt Red, vai muito além de sua trama principal e sua jogabilidade imersiva. Um dos seus grandes destaques está nas missões laterais que se inspiram diretamente em contos de fadas tradicionais — mas com um toque sombrio e adulto, fiel ao tom do universo criado por Andrzej Sapkowski.
"Ladies of the Wood" e o lado sinistro das fadas
Uma das missões mais marcantes do jogo base, "Ladies of the Wood", é uma reinterpretação macabra de histórias como "Hansel e Gretel" e "Baba Yaga". As três bruxas — Weavess, Brewess e Whispess — vivem em um pântano e caçam crianças, especialmente órfãos. Sua origem está ligada a uma traição: elas assassinaram a antiga Lady of the Wood, a mãe delas, e agora vivem à sombra do espírito vingativo da mãe, que habita uma árvore ancestral.
Além disso, há uma conexão com o personagem do Bloody Baron, cuja esposa, Anna Strenger, foi transformada em serva das bruxas por um feitiço. Essa camada de história mostra como os contos tradicionais são desmontados e reconstruídos com temas de culpa, vingança e sacrifício — algo que marca o DNA do jogo.
Fablesphere: um mundo de contos desviados
Na expansão Blood & Wine, o mundo mágico chamado Fablesphere é um universo inteiro construído com referências explícitas a clássicos infantis. Geralt deve atravessar uma estrada de tijolos amarelos para resgatar Syanna, irmã da duquesa de Toussaint, enfrentando criaturas que são paródias de histórias como:
- O Mágico de Oz (a Bruxa Má)
- Jack e o Pipoqueiro (os feijões mágicos)
- Goldilocks e os Três Ursos
- Chapeuzinho Vermelho (o Lobo Mau)
- Os Três Porquinhos (os porcos malvados)
Até mesmo uma missão secundária, "Duck, Duck, Goosed!", brinca com a figura da Mãe Ganso, personagem de contos populares da Inglaterra e França. O mundo é uma ilusão criada por um feiticeiro, e o jogo usa essas referências para explorar como os contos de fadas podem ser distorcidos quando se afastam da inocência infantil.
Essas missões não são apenas homenagens — são reflexões sobre a natureza das narrativas, o que torna The Witcher 3 ainda mais profundo. O jogo mostra que, mesmo em mundos de fantasia, as histórias que nos marcaram desde a infância podem ser usadas para contar algo mais sombrio, mais humano.
Com o lançamento do remaster, agora é um ótimo momento para descobrir (ou redescobrir) o jogo — especialmente se você é fã de RPGs que vão além do convencional.
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