Assassin's Creed Brotherhood, lançado em 2010, continua sendo um dos pilares que sustentam o design de todos os jogos abertos da Ubisoft — mesmo que muitos dos seus elementos tenham sido repetidos, adaptados ou até copiados ao longo dos anos.

Apesar de a série ter começado com um título técnico e pouco envolvente, foi com Brotherhood que a franquia encontrou seu equilíbrio: uma narrativa urgente, mecânicas de stealth mais fluidas e uma sensação de conquista real ao expandir o mapa. Ainda hoje, o jogo é visto como um marco que definiu o que seria um mundo aberto bem feito na empresa.

Um dos grandes destaques está na forma como o jogo introduz o jogador ao sistema. Em vez de um tutorial cansativo, as mecânicas são apresentadas dentro da narrativa, com o protagonista Ezio Auditore perdendo seu arsenal após um ataque bárbaro durante um momento íntimo. A cena, que mistura humor e tensão, torna a perda de equipamentos não apenas plausível, mas impactante.

As torres Borgia, que se tornaram um símbolo do jogo, não eram apenas objetivos de exploração, mas desafios de stealth bem pensados. Ser visto significava consequências reais — o capitão fugia e só podia ser atacado novamente com o ciclo diurno. Isso criou uma tensão que muitos títulos posteriores tentaram replicar, mas poucos conseguiram igualar.

Apesar do tempo passado, Brotherhood ainda é referência para a equipe da Ubisoft. Muitas das ideias — como a progressão do mapa por conquista de pontos estratégicos, a integração de missões secundárias com a narrativa principal e o senso de conquista ao dominar uma cidade — são baseadas no que o jogo fez de forma pioneira.

Hoje, a influência do título se espalha por toda a linha de jogos da empresa, de Far Cry a Watch Dogs, passando por Prince of Persia e Beyond Good and Evil 2. O DNA de Brotherhood, portanto, não está só no Assassin's Creed: ele está em praticamente todos os mundos abertos que a Ubisoft produz.