Uma nova investigação do Bloomberg revela que o fechamento da BioWare não foi apenas resultado de problemas internos, mas sim uma decisão estratégica da Electronic Arts (EA) de priorizar um projeto de franquia de grande sucesso sobre outro. A empresa, após ser adquirida por um consórcio com participação do governo saudita por 55 bilhões de dólares em agosto de 2026, enfrentou uma dívida de 18 bilhões de dólares.
Nesse cenário, a EA precisou reavaliar seu portfólio e escolher entre dois grandes projetos de ficção científica: Mass Effect: Universe, um novo jogo multiplayer em desenvolvimento na BioWare, e Star Wars Battlefront 3, ainda em estágio inicial. Segundo fontes do relatório, a empresa optou por apostar no segundo, considerado menos arriscado, dado o histórico de sucesso de jogos de tiro da franquia Star Wars.
Apesar de Battlefront 3 ainda não ter começado a desenvolvimento formal, a EA viu nele uma oportunidade de retorno mais previsível, especialmente em um momento de pressão financeira. Já o projeto de Mass Effect, com foco em RPG e narrativa — um gênero que tem tido desempenho mais instável nos últimos anos — foi descartado.
O fechamento da BioWare, estúdio com mais de duas décadas de história e responsabilidade por títulos como Mass Effect, Dragon Age e Anthem, gerou forte reação entre fãs. Campanhas como #SaveMassEffect surgiram em diversas redes sociais, com pedidos para que a franquia seja salva — seja com a continuidade do projeto original ou com a transferência da IP para outra equipe.
Além disso, o relatório aponta que a estúdio vinha enfrentando críticas por títulos recentes como Mass Effect: Andromeda, Anthem e Dragon Age: The Veilguard, que não alcançaram o nível de sucesso esperado. A saída de executivos como Laura Miele, que defendia a BioWare, e a chegada de veteranos do EA Sports também sugerem mudanças na cultura interna da empresa.
Para o mercado brasileiro, o fechamento da BioWare representa mais uma evidência da volatilidade de grandes IPs em um cenário dominado por decisões financeiras e não criativas. A ausência de novos jogos de Mass Effect no curto prazo pode impactar tanto fãs quanto a indústria nacional, que depende de lançamentos de grande porte para impulsionar vendas e interesse no setor.