Em Wardogs, o jogo de tiro sandbox gratuito da Bulkhead, três equipes — Red (Valkyra), Green (Manticore) e Blue (Lonestar) — lutam por controle de uma zona no centro de um mapa imenso. Apesar de todos terem acesso aos mesmos recursos, o time azul tem se destacado por uma taxa de vitórias muito baixa: cerca de 15%, segundo dados recentes.

O fenômeno virou meme na comunidade. Montagens de jogadores do Lonestar falhando em tiros, colidindo com aliados ou derrubando helicópteros antes mesmo de decolar são comuns. Muitos jogadores evitam o time por medo de perder por causa do “efeito azul” — uma crença coletiva de que o time é intrinsecamente inferior.

Segundo o diretor de UI Howard Philpott, o problema começou na fase de alfa, quando o Lonestar era o mais popular por causa de seu visual de PMC americano. Com um vantagem inicial no mapa, os jogadores mais competitivos migraram para Red e Green, criando uma percepção duradoura que se arrastou até o lançamento oficial.

A posição de spawn também é apontada como fator: o time azul está no centro, enquanto Red e Green estão nos extremos. Isso cria a sensação de estar sob ataque de dois lados ao mesmo tempo. Para corrigir isso, a equipe de desenvolvimento está reorganizando os spawns na temporada 2, no mapa Bakuriani.

Para entender o fenômeno, o IGN consultou a especialista em psicologia da cor Karen Haller. Ela afirmou que o azul não é o problema: "É mais sobre o que as pessoas acreditam do que sobre a cor em si". Segundo Haller, o azul representa inteligência e raciocínio — o oposto do que os jogadores do Lonestar demonstram.

"É um ciclo vicioso", diz ela. "Se as pessoas acreditam que o time azul perde, elas evitam jogar com ele. Isso atrai jogadores menos experientes, que realmente têm mais falhas. Então, o time continua perdendo — e a crença se confirma." O problema, portanto, não está na cor, mas no preconceito e no comportamento coletivo.

"O que seria diferente se o Lonestar fosse laranja?", questiona Haller. "Seria o mesmo? Ou a percepção mudaria?" A resposta, segundo ela, é que o que importa não é o azul, mas o que as pessoas esperam dele.