O ex-CEO da Activision Blizzard, Bobby Kotick, está de volta ao setor de games. Após deixar a empresa no fim de 2023, com a aquisição pela Microsoft, Kotick foi anunciado como diretor independente no conselho da Skydance, empresa resultante da fusão entre a Paramount e a Warner Bros Discovery.
O anúncio foi feito em 6 de outubro de 2026, com destaque para a trajetória de Kotick ao longo de 32 anos como líder da Activision Blizzard. Segundo o CEO da Skydance, David Ellison, o executivo trouxe uma experiência valiosa em crescimento sustentável, construção de franquias duradouras e gestão de empresas globais públicas.
A Skydance, que já detém uma vasta carteira de marcas de entretenimento — incluindo cinema, streaming, TV e esportes ao vivo — agora também tem um foco crescente em games. A empresa reuniu duas unidades: Paramount Games, lançada em 2026, e a histórica Warner Bros Games, formando um novo braço de desenvolvimento e produção de jogos.
A contratação de Kotick levanta perguntas sobre seu futuro papel na nova divisão. Embora a Skydance não tenha confirmado que ele assumirá a liderança da área de games, a empresa destacou seu histórico em inovação de modelos de negócios, investimentos em novas plataformas e capacidade de alinhar estratégia com alocação disciplinada de capital.
Porém, o retorno de Kotick não está isento de controvérsias. Durante seu tempo na Activision Blizzard, a empresa foi alvo de graves acusações de assédio, discriminação e retaliação, que culminaram em uma ação do Departamento de Justiça do Estado da Califórnia. Em dezembro de 2023, o caso foi resolvido com um pagamento de US$ 54 milhões pela empresa para resolver ações de desigualdade salarial e promoção, além de US$ 47 milhões para lidar com alegações de discriminação de gênero. O processo de assédio foi arquivado com a declaração de que não houve provas de assédio sistêmico ou de conduta inadequada por parte de Kotick.
Além disso, em 2023, a Activision também pagou US$ 35 milhões para resolver uma queixa da SEC por falhas na proteção de denunciantes e na divulgação de informações para investidores.
O mercado brasileiro acompanha com atenção o movimento, especialmente por conta da crescente influência de conglomerados de mídia no setor de games — um cenário que já levanta preocupações sobre a concentração do mercado e a sustentabilidade de franquias independentes.