A Capcom está trabalhando em uma evolução do RE Engine, seu motor de jogos interno, com o objetivo de transformá-lo em um "motor de geração por IA". O anúncio foi feito durante o evento Capcom Open Conference RE:2026, onde o programador Satoshi Ishida detalhou os planos por trás do projeto REX.
O RE Engine, desenvolvido desde 2014 e lançado com Resident Evil 7 em 2017, já foi usado em cerca de 30 títulos da empresa. Com o crescimento da complexidade dos jogos, o tempo de compilação e iteração tem se tornado um gargalo, segundo Ishida, que apontou três grandes desafios: escala dos projetos, a necessidade de suporte multilíngue e acessibilidade para mais de 2 mil desenvolvedores, além da integração profunda da IA no pipeline de desenvolvimento.
Para resolver isso, a empresa está implementando novos sistemas dentro do REX Project. Entre eles estão RE:Dox, para padronizar o processamento de dados; RE:UI, que separa aparência de estado para acelerar ferramentas; e RE:Log, que substitui logs textuais por um sistema baseado em IDs. Também há RE:Flows, uma ferramenta de script visual que converte automaticamente para código padrão, e RE:Runtime, um núcleo reescrito com processamento por lote para cenários com muitos personagens, além de uma nova camada de execução otimizada chamada RE:C++.
O objetivo é criar um ambiente onde a IA possa entender, gerar código, testar automaticamente e ajudar diretamente na produção, com o time criando jogos "juntos com a IA", segundo Ishida. A empresa já abriu acesso a parte da tecnologia subjacente para auxiliar no treinamento de modelos de IA.
Essa iniciativa vem após declarações da Capcom em junho, quando afirmou que a IA seria usada para melhorar a eficiência de tarefas rotineiras, liberando tempo dos desenvolvedores para atividades criativas, reforçando que a criatividade central dos jogos permanecerá nas mãos humanas.
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