O CEO da Acer, Jason Chen, afirmou em entrevista ao Economic Daily que é "impossível" que a escassez de memória persista até 2030. Segundo ele, o fornecimento tem sido consistente e há muitos vendedores, mas poucos compradores — uma mudança significativa em relação ao cenário de 2026, marcado por alta demanda devido ao crescimento de data centers para inteligência artificial.
Chen destacou que sua empresa não tem dificuldades para adquirir memória RAM para seus produtos, mesmo sendo um dos maiores fabricantes de laptops e PCs do mundo. Ele acredita que a produção global de módulos de memória está se ajustando, com os principais fabricantes aumentando a capacidade de fabricação de wafers de memória DRAM.
No entanto, o otimismo do executivo não se traduz em alívio imediato para o consumidor. Ainda segundo a entrevista, o CEO prevê um aumento médio de 5% a 20% nos preços de PCs até o final de 2026. Ele acredita que os preços começarão a cair a partir de meados de 2027, mas isso não significa que o mercado voltará ao normal rapidamente.
Essa previsão contrasta com a realidade atual: empresas como Samsung, Micron e SK Hynix estão com contratos de longo prazo com gigantes da IA, que garantem o fornecimento de memória em volumes superiores à produção global atual. Alguns desses acordos se estendem até 2028, com outros ainda previstos para além disso.
Além disso, a Micron anunciou acordos para manter preços fixos por até cinco anos — o que pode manter os custos elevados mesmo após a escassez acabar. Ou seja, mesmo que a falta de memória não dure até 2030, o consumidor brasileiro e global ainda enfrentará preços mais altos por um tempo considerável.