O estúdio Bulkhead, responsável por Wardogs, está sob escrutínio após o CEO Joe Brammer fazer comentários polêmicos sobre o trabalho em tempo extra, conhecido como crunch, durante um debate com a revista The Game Business.
Brammer afirmou que o estúdio não esconde o uso de crunch, mas que ele é parte da cultura da empresa. Ele disse que pessoas que não aceitam esse tipo de trabalho geralmente não permanecem no estúdio, já que o ambiente valoriza dedicação intensa ao projeto.
Após repercussão negativa, o CEO esclareceu em redes sociais. Segundo ele, o crunch não foi obrigatório. Em uma fase crítica do desenvolvimento, após o atraso na data do beta de junho, foram adotadas duas horas extras por dia, de segunda a quinta, por quatro semanas. Nesse período, quatro funcionários optaram por não participar — sem consequências.
Apesar disso, Brammer admitiu que o ambiente de equipe muito unida pode gerar pressão social. “Talvez a pressão social em um time muito próximo tenha feito algumas pessoas se sentirem menos bem”, reconheceu.
O estúdio também destaca benefícios como uma semana de folga integral em dezembro e um modelo de trabalho de quatro dias durante metade do ciclo de desenvolvimento. Além disso, 80% das ações da empresa estão distribuídas entre cerca da metade dos funcionários — algo que Brammer vê como compensação justa pelo esforço.
Apesar das justificativas, a revelação reacendeu o debate sobre práticas de desenvolvimento no Brasil e no mundo. Wardogs foi lançado em versão de acesso antecipado na sexta-feira e já atingiu mais de 428 mil jogadores simultâneos no Steam.