Em entrevista exclusiva, o elenco e o diretor de Clayface revelam como o filme equilibra empatia e horror ao acompanhar a trajetória de Matt Hagen, um ator em ascensão transformado em uma figura grotesca após um ataque brutal e uma cirurgia experimental.
Tom Rhys Harries, que interpreta o personagem, afirma que o público se identifica com Hagen desde o início — um homem injustiçado, que perde a face e ganha poderes de transformação. No entanto, conforme sua busca por vingança se intensifica, o espectador é levado a refletir sobre seus próprios limites morais.
"Ele não sabe para onde vai. Ele só quer se reerguer", diz Harries. "Mas, com o tempo, ele cede a impulsos mais primitivos, porque sente que não tem outro caminho. Esperamos que o público se envolva tanto que comece a questionar: onde está a minha linha ética?"
O diretor James Watkins destaca que o objetivo foi criar uma experiência em que o público se sinta autorizado a se alegrar com os momentos de poder de Hagen — até que o tom muda. "Queríamos que você estivesse do lado dele no começo, que se divertisse com suas ações, e depois, quando ele vai além, você se pergunte: 'Será que ainda estou com ele?' É uma dança entre o espectador e o filme".
Paralelamente, o relacionamento entre Hagen e a doutora Caitlyn Corr, interpretada por Naomi Ackie, ganha profundidade. A tensão cresce à medida que o protagonista se afasta do humano, enquanto Caitlyn luta com sua própria lealdade ao policial John Borrelli, vivido por Max Minghella.
"Queríamos que o relacionamento parecesse realista, sem saltos abruptos", explica Ackie. "Queríamos que o público se importasse com esses personagens, para que, quando as coisas piorarem, a dor fosse ainda maior".
O filme, produzido pela Warner Bros., se distancia de referências diretas ao universo de Batman, seguindo uma linha mais pessoal — como fez Joker com Gotham. O foco está na tragédia individual, na transformação de um homem em monstro.