Nic Duchesne, produtor de Serious Sam: Shatterverse, tem uma história inusitada para explicar como um dos jogos mais relaxantes do mercado influenciou um dos mais caóticos da atualidade. Ele e a esposa têm uma tradição natalina: escolher um jogo para jogar juntos em casa, em pijama, longe do mundo real. Há cinco anos, escolheram Stardew Valley — e nunca mais largaram.
"A gente jogava só para se desconectar", conta Duchesne. "Ela era muito focada nas tarefas da fazenda, me mandava regar tudo todos os dias. Mas depois que eu terminava, eu tinha liberdade para fazer o que quisesse. Eu só queria pescar. Não pescava na vida real, mas ali, no jogo, era como viver a fantasia de ser um homem comum, com tempo livre. E isso é algo que a gente não tem no dia a dia, trabalhando o tempo todo."
Além da experiência emocional, Duchesne destaca o design simples do Stardew Valley: uma pico faz o que você espera que uma pico faça, uma pá faz o que uma pá faz. "Não precisa de tutoriais, não precisa de explicações. Você pega o controle e já entende. Isso me marcou muito. É como os primeiros Zelda — você entra no mundo, e o jogo te deixa explorar. Não te diz o que fazer. Você descobre."
Essa ideia de experiência imediata e acessível também está no coração de Shatterverse. O jogo é um shooter cooperativo de ritmo acelerado, com três fases por partida e chefões no final. Mas, diferentemente de muitos títulos modernos, ele não exige horas de aprendizado. "Quero que seja uma experiência tipo 'cerveja e salgadinho'", diz Duchesne. "Você vê no Steam, na PS5, pensa: 'Tá, tô com três horas livres. Vamos jogar algo juntos?'. E você entra, sem pressa, sem burocracia."
Outro ponto-chave que o Stardew Valley ensinou a Duchesne é a sensação de satisfação mesmo sem 'vencer'. No jogo de fazenda, você pode não terminar o centro comunitário, mas ainda assim se sente realizado. "Agora, no Shatterverse, você pode morrer, claro. Mas o que importa é que, ao longo da partida, você esteja se divertindo, aprendendo, jogando com amigos. Não precisa de um objetivo final para sentir que valeu a pena. E isso é raro hoje em dia."
Com isso em mente, Duchesne quer que o jogo seja inclusivo. "Tem amigos que não gostam de tiros. Mas eu posso levar eles. Compro o jogo, dou um jeito. A gente se diverte. E, mesmo que não entendam nada, eu sei como funciona. Eu te cubro."
Ele brinca com a ideia de um crossover entre Stardew Valley e Serious Sam: uma versão onde o herói precisa regar sua fazenda enquanto hordas de monstros invadem. "É o Sam-verse. Tudo é possível."
Este ano, Duchesne provavelmente vai jogar Shatterverse com a esposa — e talvez com amigos. E, quem sabe, um dia, a ideia de um crossover pode virar realidade.