Control Resonant é mais do que um desafio de gênero — é uma declaração de intenção da Remedy Entertainment. A desenvolvedora finlandesa, conhecida por seu estilo único e narrativas complexas, ousa transformar um shooter em terceira pessoa em um hack and slash com foco em ação visceral e exploração caótica.

O protagonista é Dylan Faden, irmão de Jesse, que assume o centro da história com uma jornada emocional, cheia de metalinguagem, simbolismo e momentos que só a Remedy sabe construir. A trama, que gira em torno da busca por Jesse e do caos causado pelo Ruído em Manhattan, traz uma evolução notável em relação ao primeiro jogo — o ritmo é mais fluido, e a construção de personagens, especialmente a relação entre Dylan e a agente Zoe De Vera, é tocante.

A gameplay é o grande destaque. O combate com marretas, foices e espadas é satisfatório, com builds personalizáveis e finalizadores criativos. Apesar da baixa variedade de combos, a sensação de poder e progressão é forte, especialmente com a ajuda de um sistema de acessibilidade bem pensado que permite ajustar o nível de desafio conforme o jogador prefere.

As batalhas contra chefes são visuais e bem estruturadas, mas repetem algumas limitações do sistema principal. A dificuldade, muitas vezes, não vem dos inimigos, mas da barra de atordoamento difícil de preencher e de HPs altos, o que pode tornar algumas lutas cansativas. Ainda assim, o equilíbrio entre desafio e diversão é mantido com sucesso.

A exploração de Manhattan distorcida é um dos pontos altos. Missões secundárias simples, como proteger soldados ou eliminar hordas, se misturam a enigmas como o do Táxi, que traz um toque de mistério e humor. O tempo voa enquanto você se perde entre ruas flutuantes, prédios que se dobram e poderes de travessia que lembram um jogo de plataformas surreal.

A trilha sonora é impecável — faixas que querem ser ouvidas no repeat. E mesmo o final, que pode parecer um pouco ambíguo ou amargo, não apaga o impacto de uma obra que reafirma o lugar da Remedy no panteão dos grandes estúdios de games.

Na versão PS5 Pro, o jogo roda em 2160p e 60fps, oferecendo uma experiência estável. No PS5 base, houve pequenas quedas de frames em áreas com muitos inimigos, mas sem comprometer a jogabilidade. Os bugs foram mínimos: uma troca involuntária de áudio em português e um glitch de colisão que fez o personagem atravessar paredes — nada que atrapalhe a jornada.

No fim, Control Resonant é uma obra que subverte suas próprias falhas. É um exemplo claro de como videogames podem ser arte — não por força de comparações, mas por sua originalidade, profundidade emocional e coragem criativa. A Remedy não apenas reinventa seu universo, mas mostra que o céu, de fato, é o limite.