Após horas explorando Manhattan distorcida e cheia de detalhes, Control Resonant faz uma virada surpreendente: o jogador é levado às profundezas da cidade, para um lugar chamado O Subterrâneo — uma área que, longe de ser um fator de desaceleração, se torna o ponto alto do jogo.

O Subterrâneo é um espaço surreal, quase liminal, composto por plataformas de pedra flutuantes, tubulações expostas e um vazio negro que elimina qualquer referência ao tempo e ao lugar. Tudo o que era visualmente saturado no mundo aberto desaparece, deixando espaço para uma experiência mais focada em exploração e movimentação do que em combate.

É aqui que o jogo revela seu verdadeiro talento: a mecânica de movimentação, com dash no ar, grapple e hover, se torna fluida e envolvente, criando um estado de fluxo semelhante ao de Super Mario Odyssey. A sensação de liberdade e ritmo é tão intensa que o jogador pode se esquecer do que está fazendo — o que é o objetivo.

Além da jogabilidade, o Subterrâneo traz momentos narrativos fortes. A descoberta de uma base secreta do FBC no meio do nada reforça a ideia de que o experimento científico descontrolado está corroendo a própria realidade. É nesse ponto que o universo de Control começa a se desfazer de forma mais profunda e convincente.

Essa transição marca um antes e depois no jogo. O que parecia ser uma exploração linear de um mundo aberto se transforma em uma jornada criativa e inesperada. E, com isso, a franquia Control ganha um novo rumo — não apenas como ação, mas como um experimento narrativo e mecânico.

Para quem ainda duvida: a Remedy Entertainment não é só mestra em atmosfera e enredo. Ela também sabe fazer 3D platformers com alma.

Marca: www.polygon.com