Control Resonant, o novo capítulo da série de mistério paranatural da Remedy Entertainment, mantém o DNA narrativo que marcou o original de 2019 — mas com um problema crescente: a quantidade de lore é quase excessiva.
O jogo, que se passa nas ruas infectadas pelo Hiss em Manhattan, mantém o foco em pistas deixadas por personagens anteriores, como notas, áudios e arquivos. Esses elementos, que antes eram uma força do jogo, agora se tornam uma barreira. Em certas áreas, como um labirinto subterrâneo com múltiplas instalações do FBC, o jogador é bombardeado com logs um após o outro, sem pausa.
Apesar da qualidade do texto — que inclui detalhes como equipes de pesquisa frustradas com fenômenos estranhos —, o modo de entrega é problemático. Os áudios tocam automaticamente ao serem coletados, mas interrompem-se facilmente se o jogador se aproximar de uma cena de diálogo, forçando a parar para reiniciar o áudio.
O problema não é a quantidade de história, mas sim o ritmo. O jogo é feito para ação fluida, mas o excesso de materiais narrativos obriga o jogador a parar constantemente, quebrando o fluxo. Isso é especialmente perceptível em comparação com o primeiro Control, onde o ambiente de escritório justificava a presença de papéis e arquivos.
Enquanto o original explorava a burocracia e o segredo do governo, Resonant se concentra em uma história pessoal entre Dylan e Jesse. Nesse contexto, o excesso de documentos espalhados por toda parte distrai do cerne emocional da trama.
Apesar de tudo, a lore é opcional — o que evita que o problema se torne um impeditivo. Mas a experiência mostra que, mesmo em jogos bem escritos, mais não é sempre melhor. O equilíbrio entre mundo rico e ritmo ágil é essencial.
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