Chris Perkins e Jeremy Crawford, dois dos principais designers da 5ª edição do Dungeons & Dragons, estão agora no centro de uma nova revolução no mundo dos jogos de RPG com Daggerheart, lançado pela Darrington Press, braço editorial do Critical Role.
Em entrevista ao Polygon, os dois afirmam que deixar o D&D para trabalhar em um sistema totalmente novo foi mais fácil do que se imaginava. "Mesmo no D&D, nós construímos sobre edições anteriores. Não foi criar do nada", diz Perkins. Para Crawford, a experiência tem sido "uma delícia", destacando que o sistema de Daggerheart oferece flexibilidade e espaço criativo para inovação.
O jogo se inspira em múltiplos RPGs, inclusive em regras caseiras do D&D que se tornaram populares ao longo dos anos — como o recurso "Well-Connected" do ladrão Syndicate, que equivale ao famoso "Eu conheço um cara".
Controle coletivo da narrativa
O que diferencia Daggerheart é seu foco em storytelling colaborativo. Enquanto o D&D deixa a dinâmica narrativa principalmente nas mãos do mestre do jogo, aqui, os jogadores têm um papel ativo na construção do mundo e da trama.
"É uma mudança fundamental", diz Perkins. "Em cada aventura, temos momentos em que o mestre é incentivado a perguntar aos jogadores: 'O que vocês querem que aconteça aqui?'". Essa abordagem está embutida nas próprias campanhas, com trechos direcionados aos jogadores e instruções para que eles ajudem a moldar o cenário.
Um novo capítulo para os RPGs
Perkins está trabalhando em uma antologia de aventuras para Daggerheart, algo que ele compara à sensação dos primeiros tempos do D&D — quando tudo era possível. "Estamos começando do zero, com liberdade total", diz ele.
Já Crawford está desenvolvendo uma campanha com tema de fantasia sombria e terror, com classes como Blood Hunter e Summoner. Ele revela que partes do cenário já foram antecipadas durante a série Age of Umbra: Sallowlands, de Matt Mercer.
Com dois grandes lançamentos previstos por ano, Daggerheart está em posição de se tornar o primeiro grande concorrente do D&D em décadas. Mas, segundo Crawford, isso não é sobre competição: "Estamos todos no mesmo barco. O RPG é uma arte única de conexão humana. Toda evolução é bem-vinda".
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