Depois de mais de 26 horas jogando The Blood of Dawnwalker, fica claro que as comparações com The Witcher 3 estão ficando cada vez mais inadequadas. Apesar do histórico de desenvolvedores ex-CD Projekt Red e da expectativa gerada desde o anúncio em janeiro de 2025, o jogo se afirma como uma experiência única — não apenas por ser um título de primeira vez da Rebel Wolves, mas por ter sua própria identidade tonal, mecânica e narrativa.
O protagonista, Coen, não é um bruxo com habilidades mágicas ou uma personalidade carismática e sarcástica como Geralt. Ele é um vampiro frágil, marcado por um pesadelo de peste negra e uma missão que o leva a enfrentar um senhor vampírico em um mundo onde cada escolha tem consequências imediatas. O tempo é uma pressão constante: uma conta regressiva de 30 dias que não permite pausas prolongadas, algo que não existe no mundo de The Witcher 3.
Em combate, Coen não tem fórmulas mágicas nem habilidades de longo alcance. Tudo é baseado em habilidade, reflexo e precisão. O sistema de bloqueios direcionais e esquivas exige uma jogabilidade mais ativa e exigente, distante do estilo de combate mais fluido e estratégico de Geralt. O diretor do jogo já comparou o ritmo do combate a Max Payne e Guitar Hero — uma referência que, embora surpreendente, faz sentido ao ver como o combate se torna uma espécie de dança de morte, com tempo e ritmo.
Além disso, o mundo de Vale Sangora, embora bem construído, não tem o mesmo tamanho ou densidade de conteúdo do Continente de The Witcher. Não há a mesma variedade de missões secundárias, nem o mesmo nível de diversidade de inimigos. O jogo não precisa disso — ele é o primeiro de uma possível saga, e já apresenta uma narrativa intensa, com escolhas que moldam o destino de um mundo em colapso.
Apesar de o título ter sido apresentado inicialmente como uma espécie de “herdeiro espiritual” de The Witcher 3, a jornalista Jasmine Gould-Wilson pede para deixar Geralt de lado. “É hora de deixar Geralt em paz e apreciar Coen por si mesmo”, diz. Comparar um jogo de primeira vez com uma franquia que levou anos para se desenvolver é injusto — e, no fim das contas, limita o que The Blood of Dawnwalker pode ser.
Com críticas positivas e um público ativo no Steam — onde cerca de 58% dos jogadores também jogaram The Witcher 3 — o jogo já se firma como um dos destaques do ano. Mas, mais do que isso, ele demonstra que um RPG de vampiro pode ser poderoso sem copiar o que já existe.