Um engenheiro de segurança criou uma versão de uma famosa ferramenta de recuperação de senhas para o Game Boy Advance. Essa adaptação é baseada no Hashcat, que se apresenta como a "ferramenta de recuperação de senhas mais rápida do mundo". No entanto, o desenvolvedor, Mark El-Khoury, admite que o que foi feito não é exatamente o Hashcat completo.
O console portátil da Nintendo, lançado há 21 anos, não é o melhor hardware para esse tipo de tarefa. Segundo El-Khoury, o chip ARM7TDMI de 16,78 MHz consegue realizar apenas 727 hashes SHA256 por segundo, o que é cerca de trinta milhões de vezes mais lento que um equipamento moderno de quebra de senhas. Ele brinca que, enquanto um computador moderno levaria apenas um segundo para realizar um trabalho que levaria 350 dias nesse Game Boy, é difícil não imaginar um filme de assalto onde os ladrões usam esse tipo de hardware para abrir cofres protegidos por senhas.
O projeto, chamado GBA-Hashcat, foi desenvolvido na engine Butano, que permite programar para o GBA usando C++. Enquanto o Hashcat original suporta diversos métodos de ataque e mais de 300 algoritmos de hash, a versão para Game Boy é limitada a uma lista fixa de palavras e ao hash SHA-256. O desenvolvedor explica que o programa gera o hash SHA256 de cada linha e compara com um hash alvo fixo para verificar se há correspondência.
El-Khoury descreve seu projeto como "a maior quebra de senhas de todos os tempos" e, ao mesmo tempo, "o aplicativo mais idiota de todos os tempos". Recentemente, ele também comentou que poderia implementar melhorias significativas utilizando uma versão da linguagem LUA usada em addons do World of Warcraft, permitindo que a quebra de hashes ocorra dentro do jogo.
Esse não é um caso isolado de desenvolvedores brincando com hardware antigo. Recentemente, um modder conseguiu miniaturizar o Game Boy Color em um formato de smartwatch, enquanto outro criou um emulador de Game Boy com tela E-Ink que possui uma taxa de atualização jogável.