Um funcionário da id Software, que escapou das demissões em massa no Xbox, afirmou que a única mensagem concreta que a empresa tem passado nos últimos tempos é a de que quer lucros maiores — e quer agora.

Segundo o colaborador, ainda que haja tentativas de comunicação com os estúdios, as mensagens são cheias de jargões corporativos vazios. 'Não acredito que eles tenham uma visão clara do futuro', disse.

Os cortes já atingiram cerca de 3.200 vagas, segundo o líder criativo do Xbox, Matt Booty, que estima que o processo esteja 75% concluído. Ainda assim, os funcionários vivem em estado de incerteza, com medo de que novos desligamentos aconteçam a qualquer momento.

O cenário se agrava com as exigências do CEO Asha Sharma, que em junho afirmou que o negócio do Xbox não está saudável e que seus margens são de 3 a 10 vezes menores que as de concorrentes do setor. A empresa, segundo ela, precisa de um 'reset' para se reestruturar.

Apesar disso, o funcionário da id Software destaca que os objetivos definidos são agressivos demais — e ainda mais irreais depois dos cortes. 'É difícil não ter uma visão pessimista sobre o futuro', afirmou.

O problema é que demitir desenvolvedores diretamente afeta a capacidade de lançar jogos melhores e com mais frequência, algo que o Xbox já tem dificuldade há anos. A falta de estabilidade, motivação e bem-estar entre a equipe só agravam a crise de produtividade.

Essa realidade ecoa uma frase famosa do ex-presidente da Nintendo, Satoru Iwata: 'Se reduzirmos funcionários para melhorar resultados no curto prazo, a moral dos funcionários cai, e duvido que quem tem medo de ser demitido consiga criar jogos que impressionem o mundo'.