Dressmaker, a simulação de costura que se tornou um fenômeno no Steam, foi desenvolvido com um público claro em mente: mulheres. Segundo Sabrina Becker, co-fundadora da Cozy Lives, a equipe não apenas pensou em mulheres desde o início, como também viu o jogo como uma resposta a um mercado historicamente negligenciado.

Com mais de 17 mil avaliações no Steam, 98% positivas, e ainda mantendo mais de 15 mil jogadores simultâneos meses após o lançamento, o título superou todas as expectativas. Becker destaca que o sucesso não é apenas técnico, mas emocional: muitos jogadores relatam que o jogo reacendeu memórias, conexões familiares e até o desejo de retomar a costura em casa.

"Mulheres amam videogames, mas não há jogos que atendam aos seus interesses", afirma Becker. Ela explica que, apesar de o público feminino ser grande — especialmente em plataformas como Roblox, onde há muitas jovens envolvidas em jogos de figurino —, os títulos existentes não oferecem experiências satisfatórias. "É como se elas estivessem buscando algo que não existe. Nós decidimos preencher essa lacuna."

Becker, que trabalhava na moda antes de ser diagnosticada com a síndrome de Ehlers-Danlos (EDS), conta que a costura foi uma parte essencial da sua vida. Após a doença impedir que ela continuasse na área, o projeto do jogo veio como uma forma de retomar esse sonho. "Quando Jonathan quis fazer um jogo de costura, foi como se tudo se encaixasse. Era algo que eu podia fazer, mesmo com minhas limitações físicas."

Revisões no Steam reforçam o impacto emocional do jogo. Uma jogadora conta que o título ajudou sua mãe, costureira aposentada, a se envolver com videogames pela primeira vez. Outra descreve como o jogo restaurou o vínculo com uma avó com artrite. "Dressmaker não é só um jogo. É uma ponte entre gerações", diz Becker.

Apesar do sucesso inesperado, a desenvolvedora mantém um olhar realista: "Foi um sonho que se tornou realidade, mas o mais importante é que, por fim, criamos algo que realmente importa para as pessoas."