Um novo levantamento do setor de games revela uma discrepância acentuada entre o Japão e a América do Norte no uso de inteligência artificial na produção de jogos. Segundo o relatório 2026 da CESA (Associação de Desenvolvedores de Jogos do Japão), 85,8% dos estúdios japoneses já incorporaram ferramentas de IA em seus processos — um salto significativo em relação aos 51% registrados em 2025.

Em um estudo separado focado em desenvolvedores de jogos online, a taxa de adoção chegou a 100%. A maioria desses profissionais utiliza ferramentas de geração de conteúdo diariamente, especialmente para análise de comportamento do jogador e personalização de experiências. Ainda assim, a indústria japonesa adota medidas de segurança, como verificação humana e restrição ao uso de materiais gerados em versões finais lançadas ao público.

Já nos EUA e no Canadá, uma pesquisa realizada no GDC 2026 mostra que apenas 36% dos desenvolvedores usam IA em suas tarefas diárias. Além disso, 52% dos entrevistados acreditam que a IA está afetando negativamente a indústria — uma visão bem diferente daquela observada no Japão.

Apesar do entusiasmo por trás da adoção, especialistas alertam para riscos futuros, como queda na qualidade percebida, desconfiança dos jogadores e impacto no emprego de artistas e programadores. Ainda assim, o mercado japonês parece mais resiliente, com empresas como Level-5 e Capcom anunciando projetos ambiciosos com motores de IA integrados.

No Brasil, onde o acesso a ferramentas de IA ainda é limitado por custo e infraestrutura, a discussão sobre o tema ainda está em estágios iniciais. O foco atual ainda está mais voltado para o impacto econômico e ético do que para a adoção prática.