Randy Smith Evergreen, designer com mais de duas décadas de experiência no universo de jogos imersivos, está questionando o rumo atual da indústria. Em entrevista ao PC Gamer, ele afirma que jogos como os da franquia Thief não precisam de orçamentos de mais de R$ 200 milhões para se destacar — e, na verdade, talvez nem precisem de gráficos hiper-realistas.

Segundo ele, o primeiro Thief custou cerca de US$ 3 milhões para ser feito — um valor que, em 2026, poderia ser ainda menor graças ao uso de ativos digitais prontos e ferramentas acessíveis. Ele acredita que um jogo imersivo moderno pode ser desenvolvido com um orçamento entre US$ 3 e 10 milhões, o que é uma fração do que grandes estúdios gastam em títulos AAA.

"Não é claro para mim que um Thief de US$ 3 milhões teria vendido significativamente mais do que um jogo de US$ 250 milhões feito por uma grande empresa", diz Smith Evergreen. Para ele, o que realmente importa é a jogabilidade, a atmosfera e a criatividade — não o número de polígonos ou a resolução das texturas.

Ele lembra do lançamento de Alan Wake, um jogo que, apesar de visualmente avançado, não mudou a essência do que os jogadores esperam de um título assim. "Por que precisamos de mais gráficos? Eles custam muito caro", reflete.

Para o designer, jogos como FTL — feito com orçamento baixo, mas com grande inovação e profundidade — mostram que o sucesso não depende de produção massiva. "É sobre conteúdo de qualidade, não sobre orçamento gigantesco", diz ele.

Smith Evergreen acredita que o futuro dos jogos imersivos está nas mãos de equipes pequenas, apaixonadas e ágeis, que priorizam o design e a experiência do jogador. "Esse é o caminho que muitos títulos independentes precisam seguir agora", conclui.