Recentemente, surgiram relatos de que empresas de inteligência artificial estão comprando e destruindo milhões de livros através de serviços intermediários, tudo para evitar repercussões negativas em relação ao uso de dados para treinamento de seus modelos.

Livreiros têm notado um aumento repentino nas vendas de livros raros, o que levanta preocupações sobre o destino dessas obras. A prática de destruição de livros, embora legalizada em algumas circunstâncias, como demonstrado por um julgamento de 2025, levanta questões éticas sobre o que acontece com o material que é utilizado para treinar modelos de IA.

Um dos casos mais notáveis é o da Anthropic, que admitiu em documentos internos estar ciente de que a destruição de livros para evitar que seus chatbots soassem como "linguagem de internet de baixa qualidade" não seria bem recebida pelo público. Por isso, a empresa recorreu a intermediários para adquirir os livros sem se expor diretamente.

A ISBNdb, um dos serviços que facilitava essa compra, removiu recentemente uma página que oferecia esses serviços, mas a demanda por livros raros continua a crescer. Um livreiro especializado mencionou que as vendas aumentaram drasticamente, passando de 20 para centenas de livros por semana.

Embora a prática beneficie financeiramente alguns vendedores, muitos expressam desconforto com o uso final desses livros, que acabam sendo destruídos. O dilema ético entre lucratividade e preservação do patrimônio literário está em jogo, refletindo uma preocupação crescente sobre o impacto da IA na sociedade.