End of Abyss promete um mergulho profundo em um complexo subterrâneo cheio de ameaças, mas o caminho até o final é marcado por desafios que, em vez de gerar tensão, acabam gerando irritação. O jogo, desenvolvido pela Section 9 Interactive e publicado pela Epic Games, se inspira em títulos clássicos como Resident Evil e Little Nightmares, mas nem sempre consegue manter o equilíbrio entre atmosfera e jogabilidade.

Atmosfera e design de monstros: os pontos fortes

O jogo brilha quando está no seu melhor: explorando corredores escuros, com uma câmera distante e uma iluminação opaca que cria um clima de constante tensão. A estética, com influência dos antigos Tarsier Studios (dos criadores de Little Nightmares), é impecável. Os inimigos são bem concebidos, com design grotesco e ameaçador, lembrando tanto os abomináveis de The Last of Us quanto os monstros de Resident Evil.

A exploração é bem recompensada, com itens escondidos, pistas e caminhos alternativos que incentivam o jogador a se mover com cautela. O scanner, embora limitado em funcionalidades únicas, ajuda a descobrir informações importantes — como a localização de chaves ou mensagens — e ainda permite uma mecânica clássica de seguir linhas de energia para abrir portas.

Problemas que minam a experiência

Apesar do potencial, o jogo se desfaz em momentos cruciais. As lutas contra chefes são, na maioria das vezes, frustrantes e injustas. Muitas vezes, o jogador é forçado a enfrentar inimigos em arenas pequenas, onde a mecânica se torna repetitiva e sem graça, com combates que se transformam em corridas malucas e tiros aleatórios.

Outro ponto negativo é a dificuldade de encontrar objetos essenciais. Em alguns momentos, itens críticos — como uma seção de piso destrutível — são quase invisíveis devido à cor pálida e ao ambiente escuro, levando a frustração e a necessidade de reiniciar áreas.

Além disso, pequenos bugs afetam a experiência: inimigos atacando por trás de paredes, elevadores que não carregam corretamente e travamentos que perdem progresso no final do jogo. Esses problemas, embora não sejam catastróficos, se acumulam e tornam o percurso mais árduo do que deveria ser.

Combate e progresso: um equilíbrio desajustado

O combate é intencionalmente difícil, com inimigos resistentes e poucas chances de sobrevivência. Ainda assim, o sistema de salvamento é um pouco diferente dos clássicos: ao morrer, o jogador retém itens e portas abertas, mas munição não é recuperada. Isso ajuda a manter o senso de progresso, mas não compensa o resto.

Apesar de os controles serem mais fluidos do que em Resident Evil clássico, a sensação de ser puxado para o caos em vez de se sentir desafiado é constante. O jogo tem momentos de pura tensão — especialmente nos primeiros atos —, mas, na segunda metade, a experiência se torna mais sobre sobrevivência do que sobre imersão.

End of Abyss é um jogo com potencial, mas que falha em entregar uma experiência coesa. Quando tudo funciona, é um survival horror memorável. Quando não funciona, é uma lição de como não fazer.