O debate sobre as disclosuras obrigatórias de uso de inteligência artificial no Steam voltou à tona, desta vez com força total graças às críticas públicas do CEO da Epic Games, Tim Sweeney. Em postagens no X (antigo Twitter), Sweeney afirmou que exigir que desenvolvedores declarem o uso de IA é uma medida politizada, chegando a comparar o requisito a "ensaios políticos obrigatórios" ou exigir que os criadores divulguem seu histórico eleitoral.

"Forçar desenvolvedores a escreverem uma declaração política para serem usados contra eles por grupos de ódio que a Valve está ajudando a organizar é abominável", escreveu Sweeney em 24 de outubro. Ele também alegou que o modelo da Valve está causando prejuízos econômicos reais aos estúdios, além da taxa de 30% que ela cobra, ao alimentar campanhas de cancelamento contra criadores que usam IA.

A polêmica ganhou força após a Epic anunciar sua estratégia de desenvolvimento "primeiro com IA", com projetos como um jogo de Star Wars e Marvel, além de um game jam focado em IA — que foi depois descontinuado. Sweeney afirmou que, em um ano, todos os desenvolvedores estarão usando IA, os jogos serão melhores e mais rápidos, e a Valve será forçada a reconhecer que suas campanhas de ódio foram um erro.

Valve, por sua vez, justificou as disclosuras como uma resposta à incerteza legal sobre o uso de IA na indústria. Segundo a empresa, o sistema foi criado para entender melhor os riscos e permitir que jogos com IA sejam publicados com mais transparência. Ainda assim, a Epic argumenta que a medida é mais política do que técnica.

Apesar do volume de lançamentos no Steam — 18.433 títulos em 2024 — contra apenas 1.100 no Epic Games Store, a questão levanta dúvidas sobre a necessidade de tais exigências em um mercado com tantos títulos e pouca regulamentação clara sobre IA.