Segundo Kurt Kuhlmann, ex-escritor e designer da Bethesda que trabalhou na franquia por 20 anos, um dos grandes enigmas do universo de The Elder Scrolls — os Dragon Breaks, eventos em que o tempo se distorce — teria origem em um simples erro de digitação.

Na entrevista ao podcast FRVR, Kuhlmann revelou que o problema surgiu nos arquivos do jogo original, Daggerfall, quando um cronograma de eventos apresentou um enorme vazio de tempo, com uma lacuna de cerca de 3 mil anos entre dois eventos principais.

"Eu tenho 100% de certeza de que, na realidade, isso foi um erro", disse ele. "Alguém simplesmente digitou a data errada no cronograma. Pulou 3 mil anos por acidente. Foi entre o último dia de um ano e o primeiro do seguinte."

Em vez de corrigir o erro, o time decidiu transformá-lo em parte da narrativa. Michael Kirkbride, artista conceitual e escritor da série, propôs que todos os finais possíveis de Daggerfall tivessem existência real no universo — o que deu origem ao conceito dos Dragon Breaks, eventos em que o tempo se fragmenta e todos os caminhos se tornam reais ao mesmo tempo.

"Ele disse: 'E se todos os finais aconteceram? E se o Numidium foi construído, e tudo ficou caótico? Por que não?'", lembrou Kuhlmann. "Ninguém sabe o que realmente aconteceu. É um caos metafísico. E funcionou."

Esse acidente criativo acabou se tornando uma das marcas da franquia. Enquanto outras séries resolvem seus finais ambíguos com escolhas forçadas ou saltos temporais, o Elder Scrolls abraçou a ambiguidade como parte da identidade do mundo.

Hoje, o lore do universo de Tamriel é mais rico por conta disso — e o erro que poderia ter sido corrigido virou um dos pilares da mitologia da série.