Os jogos American McGee's Alice e Alice: Madness Returns são obras-primas sombrias que transformaram o universo de Alice no País das Maravilhas em uma experiência de terror psicológico e estética distorcida. Lançado originalmente em 2000, o primeiro título conquistou críticas positivas e um público fiel, com sua visão distorcida do clássico de Lewis Carroll, repleta de steampunk, simbolismo macabro e uma Alice mais vulnerável do que heroína.
Em 2011, a sequência, Alice: Madness Returns, trouxe uma narrativa mais densa e uma ambientação ainda mais decadente. Apesar de receber críticas mais reservadas — principalmente por combates repetitivos e visuais datados — o jogo foi bem recebido pelos fãs, que valorizaram seu tom sombrio e sua leitura ousada da história original.
Desde 2014, o futuro da série foi paralisado. O criador, American McGee, revelou em 2023 que a Electronic Arts, sua parceira de publicação, recusou-se a financiar ou licenciar um terceiro jogo, chamado Alice: Asylum. O projeto foi abandonado, e McGee se afastou da franquia por um tempo.
Hoje, ele está trabalhando em um novo jogo inspirado em sua linha de brinquedos Plushie Dreadfuls, com temas semelhantes ao universo de Wonderland. Mas mesmo com esse novo caminho, o legado de Alice permanece incompleto — especialmente porque os dois jogos originais estão praticamente indisponíveis em consoles modernos.
Enquanto Alice: Madness Returns ainda está disponível no Steam, o primeiro jogo sumiu do mercado digital em plataformas atuais. Jogadores que querem começar do zero precisam de sorte — ou de um console antigo — para acessar a experiência original.
É um desperdício. Com remasterização, melhorias de qualidade de vida e uma nova apresentação visual, esses títulos poderiam atrair uma nova geração de fãs da narrativa sombria e da arte de games. A indústria tem demonstrado interesse em reviver clássicos, mas o legado de Alice continua esquecido.
É hora de dar uma nova chance a esses contos de fadas modernos. O mundo precisa de mais histórias que não temem o escuro — e o universo de Alice é um dos mais poderosos desse gênero.
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