O estúdio britânico Bulkhead, responsável pelo sucesso no Steam Wardogs, está provocando polêmica ao revelar que rejeita candidatos que se manifestam publicamente contra o trabalho em excesso — conhecido como crunch — nas redes sociais.
Joe Brammer, CEO e produtor executivo de Wardogs, afirmou em entrevista ao The Game Business que a empresa verifica os perfis de candidatos em plataformas como Twitter e que, se alguém demonstra uma postura clara contra o crunch, é descartado do processo.
“Se você está constantemente tweetando contra o trabalho em excesso, sabemos disso e pensamos: ‘Olha, você não vai se sentir bem aqui, então não vamos seguir com você’”, disse Brammer, reforçando que a empresa não esconde que o crunch pode acontecer — e que, para alguns, isso não é compatível com seus valores.
O executivo destacou que, embora a empresa tente evitar o crunch sempre que possível, ele pode ser inevitável em certos momentos, especialmente antes de lançamentos. Segundo ele, o ambiente de trabalho exige comprometimento e paixão pelo produto.
“Se você se importa com o que está fazendo aqui, vai se sentir valorizado. Se não, vai se sentir como escravo”, afirmou Brammer, acrescentando que ele próprio assume a responsabilidade por essa cultura.
Ao longo do mês de setembro, o estúdio se tornou alvo de críticas após o CEO postar um vídeo mostrando camas no escritório, sugerindo que alguns funcionários ficaram trabalhando por dois dias seguidos. A ação gerou preocupação entre a comunidade de desenvolvedores, especialmente em um contexto em que o setor tem tentado reduzir práticas de sobrecarga.
Apesar das críticas, Brammer respondeu a publicações virais dizendo que o crunch não é obrigatório, que 80% das ações da empresa estão em mãos de 50% dos funcionários e que todos tiveram o mês de dezembro de folga. Ele também afirmou que o modelo de incentivo por resultados — com bonificações para quem tem participação acionária — é uma forma de compensar o esforço extra.
Apesar de Wardogs ter vendido dois milhões de cópias e se tornar um dos principais sucessos do Steam, o histórico da Bulkhead inclui demissões anuais há seis anos. Em 2023 e 2024, a empresa foi considerada uma das melhores do Reino Unido para trabalhar, segundo o GamesIndustry.biz. Em 2025, não foi indicada.
Enquanto o debate sobre ética no desenvolvimento de jogos continua em alta, o caso da Bulkhead reforça as tensões entre produtividade, cultura de trabalho e direitos dos funcionários — especialmente em um mercado onde sucesso comercial muitas vezes está ligado a práticas controversas.