Estúdios japoneses como Nintendo, Capcom e Konami têm uma taxa de retenção de funcionários de 97% ou mais, segundo análise de Amir Satvat, responsável pelo Games Industry Layoffs Tracker da ASGC. O especialista atribui esse número impressionante a práticas empresariais distintas do resto do mundo.

Enquanto grandes empresas ocidentais investem em grandes equipes, live service e bonificações milionárias para executivos, os estúdios japoneses mantêm estruturas mais enxutas e focam em sequências de IPs consolidados. Segundo Satvat, isso os protege de quedas drásticas em desempenho e despedidas em massa.

"Eles ainda lucram muito, mas os salários dos executivos ficam em dois ou três milhões de dólares, não 30 milhões", afirma o especialista. Além disso, eles evitaram se envolver em projetos de grande escala com equipes de 500 pessoas, comuns em títulos como os de live service, que têm alto risco de falha.

Apesar de o setor global enfrentar uma onda de demissões — com cerca de 14,5 mil postos perdidos em 2026, segundo Satvat —, o mercado japonês parece estar fora do padrão. Ainda que haja contratações em torno de 18 mil a 25 mil novos trabalhadores por ano, o equilíbrio entre demissões e contratações é muito mais estável no Japão.

Esse cenário contrasta com as previsões de Tim Sweeney, CEO da Epic, que alerta para uma crise sem precedentes no setor, comparável à queda do mercado de videogames nos anos 80. Para Satvat, o Japão é um caso diferente: uma exceção que mostra que não é necessário apostar em gigantismo e tecnologia de ponta para ter sucesso.

"É um modelo diferente, mas que funciona. E talvez seja mais sustentável do que o que estamos vendo em outras partes do mundo", conclui.