Matthias Radford, ex-artista de efeitos visuais em 'The Last of Us' e 'Uncharted 4', reagiu às críticas sobre a cultura de crunch na Naughty Dog. Em entrevista ao Kiwi Talkz, ele reconhece que os horários exaustivos — às vezes acima de 100 horas por semana — eram reais, mas argumenta que não se tratava de um ambiente opressivo imposto por uma empresa malvada.

Segundo Radford, muitos funcionários entraram na empresa com o propósito de criar algo extraordinário. "Você se sentia como se fosse possível trabalhar 100 horas por semana, e ainda assim todo mundo ia lá para se superar, para trabalhar no nível mais alto possível", disse ele.

Ele descreveu o ambiente como uma mistura de motivação pessoal e pressão de grupo: "Era mais sobre pessoas muito motivadas se reunirem e usar um pouco de pressão entre colegas para impulsionar todos a fazerem o melhor trabalho possível". O ex-artista admite que isso gerou momentos difíceis, mas acredita que o resultado — jogos com narrativas profundas e gráficos de alto nível — mostra que o sacrifício valeu a pena.

"A experiência que tive, para mim, é que grande arte vem do sofrimento", afirmou, refletindo sobre o vínculo entre criatividade e esforço excessivo. No entanto, ele também reconhece que o crunch é um tema complexo e que não pode ser simplificado como uma questão de "empresa vil obrigando funcionários".

Embora sua versão ofereça uma visão mais humana do processo criativo na Naughty Dog, ela não elimina preocupações reais sobre condições de trabalho. O que falta, segundo analistas, é garantia de que funcionários que não desejam trabalhar horas excessivas não são penalizados — algo que não ficou claro na fala de Radford.