Um ex-desenvolvedor de The Last of Us e Uncharted 4 está se questionando se, daqui a alguns anos, jogos modernos como Intergalactic: The Heretic Prophet serão vistos com a mesma admiração com que olhamos para catedrais medievais.

Em entrevista ao Kiwi Talkz, Matt Radford usou como exemplo as catedrais de Colônia, construídas com décadas de esforço, arte e sofrimento humano — algo que hoje não seria replicado, por falta de tempo, mão de obra e contexto histórico.

“Você não construiria uma catedral como a de Colônia hoje. E nunca mais será feita, porque o talento simplesmente não existe mais”, disse ele.

Radford então aplicou essa reflexão ao mundo dos games. Ele imagina um futuro em que as gerações futuras olharão para títulos como Uncharted 4, The Last of Us 2 ou Intergalactic com espanto — não só pela narrativa, mas pelo trabalho humano envolvido: atuações reais, roteiros, modelagem, pintura e design artesanal.

“Um dia, talvez, olhemos para alguns desses jogos — como Intergalactic ou Uncharted 4 — e nos maravilhemos com a quantidade de atuação humana, escrita, modelagem e pintura que foi colocada neles”, afirmou.

Embora não tenha citado diretamente a inteligência artificial generativa, Radford destacou que “muita nova tecnologia” está mudando a forma como os jogos são feitos — e o número de pessoas envolvidas na produção.

Ele ainda alertou que, com o avanço de ferramentas automatizadas, talvez um dia não haja mais espaço para orçamentos bilionários em jogos de ação com histórias complexas. “Um dia, talvez não haja mais a possibilidade de gastar 600 milhões de dólares em um jogo de ação bom com uma boa história”, concluiu.