Kurt Kuhlmann, ex-escritor e designer da Bethesda, revelou em entrevista ao podcast FRVR que alega ter certeza absoluta de que um dos conceitos centrais da lore de The Elder Scrolls — o chamado "Warp in the West" — nasceu de um erro de digitação.

O evento, que estabelece que todos os finais possíveis de The Elder Scrolls II: Daggerfall ocorreram ao mesmo tempo, foi inspirado por uma lacuna de tempo de cerca de 3 mil anos em um cronograma interno do jogo, segundo Kuhlmann. Ele acredita que o espaço foi criado por engano, quando um data foi digitado incorretamente entre o fim de um ano e o começo do seguinte.

Segundo ele, o escritor Michael Kirkbride adorou a ideia e transformou o erro em um conceito central da franquia: a ideia de que a magia distorce o tempo de forma metáfisica, tornando todos os caminhos possíveis realidades simultâneas.

Esse conceito foi posteriormente explorado em livros in-game como "Where Were You When the Dragon Broke" e "Dragon Break Re-Examined", ambos presentes em The Elder Scrolls III: Morrowind. O segundo, inclusive, brinca com a própria ambiguidade temporal, apresentando eventos futuros como se fossem passados — um jogo de espelhos que reforça a ideia de que a verdadeira natureza do "Dragon Break" pode ser tão confusa quanto a própria história.

Apesar de o cronograma original não ter sido divulgado publicamente, o fato de o erro ter se tornado um pilar da narrativa da série mostra como pequenos lapsos podem gerar grandes impactos criativos. A abordagem "fuck it, we ball" da Bethesda, que abraça a ambiguidade em vez de tentar corrigi-la, acabou se tornando um dos diferenciais da franquia.