Shawn Layden, ex-diretor da PlayStation, relembrou em entrevista recente como o anúncio do PlayStation Portable (PSP) gerou tensão no mundo dos games portáteis. Segundo ele, um amigo que trabalhava na Nintendo enviou uma mensagem dizendo: 'Vocês são uns canalhas' ao ver o primeiro protótipo do dispositivo.

O PSP foi lançado no início dos anos 2000, numa época em que a Nintendo dominava o mercado com o Game Boy e o DS. A entrada da Sony no segmento de handhelds foi vista como uma ameaça direta, especialmente porque o PSP prometia uma experiência de console em um dispositivo portátil.

Apesar do sucesso relativo do PSP — com cerca de 76 milhões de unidades vendidas —, ele nunca conseguiu superar o DS, que vendeu mais de 154 milhões de unidades. A pirataria facilitada pelo jailbreak do sistema prejudicou fortemente as vendas de jogos, tornando o ecossistema mais frágil.

Segundo Layden, o sucesso do PSP foi impulsionado por títulos como Monster Hunter, cuja jogabilidade cooperativa incentivou amigos a comprarem o mesmo jogo e o mesmo aparelho para jogar juntos. No entanto, ele reconhece que a Sony não entendeu bem o que os jogadores queriam: 'As pessoas querem uma boa experiência de handheld, não querem replicar uma experiência de console', disse.

O ex-executivo ainda alerta que, hoje, com dispositivos como Steam Deck e Nintendo Switch, o foco mudou. Jogadores querem portabilidade com jogos otimizados para o formato, não uma cópia fiel de consoles. Isso faz com que o PSP e o Vita pareçam um pouco à frente do seu tempo.

Com rumores de um possível novo handheld da Sony, Layden acredita que a empresa precisaria criar uma divisão separada para focar apenas nesse produto, evitando que os recursos de marketing sejam diluídos entre consoles e portáteis.