Miguel Corti, ex-produtor da Capcom, revelou em uma publicação no Bluesky que muitas das falhas presentes em Resident Evil 7 já eram visíveis durante o desenvolvimento do jogo — mas foram ignoradas pela diretoria da empresa.
Segundo Corti, o sucesso crítico de títulos como The Last of Us influenciou fortemente a equipe, que buscava reconhecimento após o fracasso de Resident Evil 6, apesar do título ter sido bem recebido internamente. A pressão para inovar levou a uma reestruturação completa da equipe e à decisão de reinventar o jogo do zero.
Um dos grandes viradas foi a escolha da perspectiva em primeira pessoa, ideia que surgiu de forma espontânea dentro do time. Corti destacou que muitas das ideias mais ousadas do jogo surgiram de forma improvável, fruto de inspirações aleatórias entre os desenvolvedores.
Apesar do retorno positivo ao longo dos anos — especialmente com o sucesso de Resident Evil Village e a popularidade das memes —, o jogo inicialmente teve desempenho abaixo do esperado, com fãs confusos e novos jogadores desinteressados. A Capcom, segundo Corti, ficou desapontada com os números iniciais.
O desenvolvimento longo e conturbado também foi citado como uma das razões pelas quais ele se opõe ao uso de inteligência artificial generativa na indústria: a evolução do jogo foi fruto de ajustes constantes, não de uma visão perfeita desde o início.