A Micron está prevendo que a escassez global de memória RAM continuará até 2028, segundo o CEO Sanjay Mehrotra, que afirmou em chamada com investidores que a empresa já vendeu grande parte da produção para o próximo ano.

Segundo o executivo, a demanda por memória de alta largura de banda (HBM), essencial para datacenters de IA, está superando a oferta de forma contínua, com a indústria enfrentando um equilíbrio cada vez mais apertado entre oferta e procura.

Com a capacidade produtiva concentrada em HBM para servidores de inteligência artificial, os fabricantes como Micron e Samsung têm pouco espaço para produzir memórias de consumo, o que tem pressionado os preços de dispositivos eletrônicos — incluindo consoles como PlayStation 5, Xbox Series X/S e Switch 2, que já sofreram aumentos múltiplos em diversos mercados.

Valve também foi afetada: a Steam Machine foi lançada com preço bem acima do esperado, e a empresa admitiu a possibilidade de novos reajustes. Ainda assim, a Micron planeja abrir novas fábricas em 2028, com um investimento de US$ 25 bilhões previsto para o primeiro semestre de seu próximo exercício financeiro.

Apesar disso, executivos da empresa alertaram que o novo volume de produção não trará alívio imediato no preço ou na disponibilidade dos chips. A demanda por HBM está crescendo mais rápido do que a de DRAM convencional, e a Micron está trabalhando para aumentar sua margem de lucro nesse segmento — que já subiu de 59% para 83% no quarto trimestre.

O negócio de armazenamento em nuvem da empresa, que inclui SSDs baseados em NAND, também registrou forte crescimento, com vendas de SSDs para datacenters quase atingindo US$ 10 bilhões no trimestre, um aumento de mais de 1.000% em relação ao ano anterior.

A empresa também destacou seu trabalho com a Nvidia em um novo tipo de HBM4E personalizado, chamado NV-HBM, voltado para as próximas gerações de GPUs e plataformas NVLink Fusion. O crescimento da demanda por armazenamento de contexto em IA está ampliando o mercado de SSDs baseados em NAND.

Em um sinal de que o problema não está se resolvendo, a Samsung também anunciou em sua chamada com investidores que espera que a crise de componentes se agravará ainda mais no próximo ano.