Fire Emblem: Fortune's Weave chega como um marco para a franquia, consolidando o que há de melhor em estratégia, storytelling e design de combate. Desenvolvido pela Intelligent Systems e publicado pela Nintendo, o jogo está disponível no Switch 2 desde 17 de setembro e já conquistou críticos e jogadores com sua complexidade e profundidade.

Uma jornada por caminhos interligados

O jogo começa com um prólogo sombrio que mostra o fim do mundo, mas logo se afasta desse tom dramático para revelar um mundo dividido em quatro campanhas principais, cada uma com seu protagonista: Theodora, a rainha leal; Dietrech, um estrangeiro violento e inteligente; Cai, um jovem envolvido em conspirações; e Leda, uma atriz em busca de vingança. Apesar de compartilharem o mesmo universo, cada história se desenrola de forma única, com roteiros bem construídos, atuações convincentes e um nível de produção que supera muitos RPGs menores.

Um dos pontos fortes é a interconexão entre os caminhos. Mesmo quando os personagens se encontram em batalhas comuns, as rotas e a progressão são tão bem diferenciadas que cada experiência parece exclusiva. A escrita é densa, mas envolvente, e os momentos de drama são bem sustentados — especialmente na campanha de Leda, que destaca-se pela emoção e qualidade de voz.

Combate que evoluiu

O sistema de combate é o grande destaque. A tradicional tríade de armas (espada, lança, arco) foi reimaginada com novas mecânicas, habilidades especiais por tipo de arma e classes mais versáteis. O uso de Blaze Arts — habilidades poderosas que custam HP, não durabilidade — traz novas estratégias, especialmente quando combinadas com curas e suporte.

As batalhas são mais variadas do que nunca: além de matar comandantes inimigos, há missões com condições como controle de área, mobilidade e até estagnação de inimigos. Isso transforma cada mapa em um quebra-cabeça tático, exigindo planejamento, improvisação e, muitas vezes, paciência.

Dificuldade e acessibilidade

Apesar do elogio ao design, o jogo é, em sua versão padrão, o mais fácil da série. Apenas uma morte permanente foi registrada em quatro campanhas completas, e o sistema de replay permite voltar no tempo gratuitamente. A dificuldade aumenta com o modo Hard, que traz mais tensão, especialmente em batalhas cruciais.

Os jogadores podem escolher entre 'Clássico' (permadeath) e 'Casual' (replay automático), além de opções de acessibilidade como velocidade de jogo ajustável, legendas personalizáveis, animações skipáveis e até controle com mouse. Isso torna o jogo acessível a diferentes perfis, mas pode frustrar quem busca o desafio tradicional do Fire Emblem.

Um jogo para todos os tipos de jogador

O jogo se divide em três fases: início com foco social (como em Three Houses), meio com combates itinerantes (lembrando Radiant Dawn e Shadow Dragon) e um final que se desvenda como uma grande obra de arte narrativa. A parte central, chamada de 'Guerra', é um verdadeiro 'boss rush' estratégico, onde todos os elementos do jogo se revelam em sua essência.

Para quem prefere o lado narrativo, há tempo para desenvolver laços com personagens e completar missões secundárias. Para os que buscam min-max, o sistema de equipamentos, classes e recrutamento oferece profundidade. E, mesmo com apenas um slot de salvamento, o design permite seguir múltiplas campanhas sem perder o foco — embora o jogador precise se organizar para não se perder.

Com uma campanha completa levando até 200 horas, Fortune's Weave é uma experiência imersiva, mas não exaustiva. O ritmo é bem equilibrado, com pausas para exploração e momentos de descanso que evitam o cansaço típico de jogos longos.

Conclusão: Um motivo para comprar o Switch 2

Fire Emblem: Fortune's Weave é, sem dúvida, o melhor da série em anos. Junta o melhor de Three Houses (narrativa) com o melhor de Engage (design de mapas) e a essência clássica dos primeiros títulos. É um jogo que emociona, desafia e surpreende — mesmo com sua dificuldade mais baixa.

Para o mercado brasileiro, o preço ainda não foi divulgado, mas o lançamento no Switch 2 já é um sinal claro de que a Nintendo está apostando forte na nova geração. E com um título como este, o investimento parece mais do que justificado.