Fire Emblem: Fortune's Weave surge como uma das tentativas mais ousadas da Intelligent Systems em expandir o universo da franquia, com uma narrativa que se desdobra em múltiplos caminhos e um sistema de tempo que permite reescrever o destino de quatro heróis já mortos. O jogo se passa em Dagsion, uma cidade inspirada em Roma, onde os protagonistas competem nos Jogos Heróicos para conquistar um desejo, enquanto o mundo se prepara para o retorno do deus demônio Balor.

Uma visão de cima para uma história unificada

Em vez de seguir um único herói como em Fire Emblem: Three Houses, o jogador assume o papel de Eshmel, um observador distante conhecido como o Corvo Pálido, que viaja no tempo para influenciar os destinos dos quatro protagonistas: Cai, Dietrich, Theodora e Leda. Cada um tem motivações únicas — desde a busca por um pai preso até a vingança por um massacre familiar — e suas histórias se entrelaçam de forma inteligente, mesmo que o roteiro seja, em alguns momentos, confuso e exagerado.

A abordagem de mostrar os heróis já mortos no prólogo cria um tom dramático imediato. O jogador então volta cinco anos no passado para reescrever os eventos, permitindo que cada campanha seja explorada em paralelo. Isso traz liberdade para experimentar diferentes estilos de jogo, como o uso de músicas em combate por Leda ou o treinamento de Cai por aliados mais experientes.

Batalhas táticas com profundidade, mas com ritmo afetado

As batalhas continuam sendo o ponto forte do jogo. O sistema de estratégia em grade é refinado, com mecânicas como vantagem de terreno, alertas por rumble e combinações de ataques que geram momentos de grande satisfação — especialmente quando se consegue um golpe decisivo sem sofrer danos.

Contudo, a liberdade de alternar entre caminhos, embora interessante, acaba prejudicando o ritmo. As missões de introdução, cinemáticas e eventos iniciais são repetidos em cada rota, o que torna o início cansativo. Após algumas horas, muitos jogadores acabam focando em uma campanha — como a de Leda, que se destaca por sua trama emocionante e evolução pessoal.

Filler e mecânicas que pesam

O maior problema do jogo está no excesso de tarefas pontuais. As minidungeons em terceira pessoa, que lembram as de Fire Emblem: Shadows of Valentia, funcionam como combates automáticos e carecem de profundidade estratégica. Como elas podem ser puladas com um toque, muitos jogadores acabam ignorando-as por completo, reduzindo seu valor narrativo e de progressão.

Além disso, o sistema de tempo é confuso. Em vez de dias, o tempo é medido em turnos, mas atividades no mapa exigem movimentação passo a passo, o que torna o deslocamento lento. Ainda, recursos como motivação dos aliados e renome têm limites semanais, exigindo que o jogador espere semanas para realizar certas ações — o que pode frustrar quem quer avançar rápido.

As relações entre personagens, embora ainda presentes, parecem menos impactantes. Muitos requisitos para recrutar aliados são arbitrários, e os diálogos de apoio entre personagens são escassos. A emoção de ver um aliado salvar você no último segundo — um elemento marcante em jogos anteriores — é quase ausente.

Conclusão: um épico com potencial, mas afetado por detalhes

Fire Emblem: Fortune's Weave é uma das obras mais ambiciosas da série, com uma narrativa que se conecta de forma coerente e batalhas táticas profundas. No entanto, o excesso de tarefas pontuais, o sistema de tempo confuso e o ritmo desacelerado acabam minando a experiência. O jogo brilha quando se concentra na história e na estratégia, mas se perde em detalhes que parecem mais burocracia do que jogabilidade.

Para o mercado brasileiro, o preço de R$ 299,90 (valor aproximado em conversão de £54,99) coloca o jogo em um patamar de investimento, exigindo que o jogador esteja disposto a lidar com mecânicas que podem se tornar cansativas ao longo do caminho.