Forever Ago é o tipo de jogo que chega com a promessa de tocar o coração, e, de certa forma, consegue. Publicado pela Annapurna Interactive, o título da desenvolvedora Third Shift é uma narrativa cinematográfica centrada em Alfred, um homem idoso que parte em uma viagem solitária por estradas do passado — um caminho marcado por lembranças, perdas e o desejo de reconstruir um amor que já foi.

O jogo começa com um flashback: um jovem Alfred e Audrey, apaixonados, caminham por trilhas e fotografam momentos que pareciam eternos. Muitos anos depois, o mesmo homem, agora com cabelos brancos e um RV vazio, percorre os mesmos lugares. A trama é quase óbvia desde o início: ele está tentando reencontrar o que foi, reescrever o que se perdeu e, talvez, se perdoar.

Apesar de um roteiro previsível e momentos que parecem forçados — como os desentendimentos com jovens atendentes de lojas ou piadas sobre o passado que soam como clichês de geração X —, Forever Ago se destaca por sua sinceridade. A história não tenta enganar o jogador. Ela sabe exatamente o que quer causar, e, em muitos momentos, consegue.

O jogo é curto — cerca de três horas — e se sustenta em poucas mecânicas: andar por ambientes bem desenhados, fotografar paisagens (para o diário), e reconstruir memórias com pequenos objetos espalhados. A falta de profundidade no gameplay é um ponto fraco, mas, dada a natureza da experiência, é quase irrelevante. O foco está na narrativa, não na interação.

Apesar de tentar incluir comentários sociais — como a transformação de um antigo diner em uma franquia sem alma —, essas passagens acabam sendo superficiais. Alfred, ao invés de um personagem complexo, muitas vezes se torna um velho ranzinza, com piadas que soam mais como estereótipos do que reflexões reais.

Contudo, há momentos de beleza real. Um olhar para um coyote no meio da estrada, a descoberta de um antigo diário escondido, a primeira vez que ele entende o que é um selfie — essas cenas, simples, carregam uma ternura que só os jogos mais introspectivos conseguem transmitir.

Forever Ago não é um jogo que vai mudar a história dos games. Mas é, sem dúvida, um dos mais autênticos da atual geração. No universo da Annapurna, onde cada título parece um conto de fadas emocional, este é o mais puro — e, talvez, o mais humano.

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