Um trecho inédito de uma palestra de 2013 de Gabe Newell, fundador da Valve, está circulando novamente na internet. No vídeo, o executivo aponta um dos maiores erros cometidos por desenvolvedores de jogos: tratar ações criativas e divertidas dos jogadores como hacking.

Na fala, Newell destaca que, em vez de ver como um problema, os criadores deveriam reconhecer quando um jogador faz algo inesperado, mas divertido. Ele cita como exemplo o assassinato do personagem Lord British, em Ultima Online, em 1997.

Na ocasião, o criador do jogo, Richard Garriott, estava em um evento com o personagem invulnerável. Por um erro técnico, a proteção foi desativada, e um jogador chamado Rainz o matou com um feitiço de fogo. Em vez de aproveitar o momento como um marco da história do jogo, a equipe reverteu o mundo, como se nada tivesse acontecido.

Segundo Newell, isso foi um erro estratégico. “Eles deveriam ter deixado aquilo virar algo que se transformasse na história do jogo”, afirmou. Hoje, matar Lord British virou uma tradição e até um easter egg em jogos da série Ultima.

O caso é lembrado como um marco na história dos MMOs. O evento foi tão significativo que chegou a ser presenciado por Naoki Yoshida, hoje diretor criativo de Final Fantasy 14, que mais tarde liderou a reconstrução do jogo em sua versão A Realm Reborn.

Para Newell, o que vale é a confiança dos jogadores no futuro do mundo virtual. Se as regras mudam a qualquer momento por causa de um erro técnico ou de uma decisão arbitrária, o valor emocional e social do que foi construído se desfaz. A segurança é importante, mas não deve ser usada para sufocar a criatividade dos jogadores.