Segundo Minh Le, co-criador de Counter-Strike, a criação do Steam teve origem em uma frustração profunda com o sistema de publicação de jogos na época. Ele conta que Gabe Newell, após um relacionamento deteriorado com a Sierra — editora de Half-Life — chegou a dizer: "F*** esses editores".

Valve, na época, tinha a Sierra como parceira para publicar Half-Life e, segundo Le, a experiência foi tão negativa que deixou um gosto amargo no estomago de Newell. Isso acabou sendo o gatilho para a decisão de criar uma plataforma própria de distribuição digital.

O lançamento do Half-Life 2, em 2004, foi um marco crucial. A Valve tornou o Steam obrigatório para quem comprasse o jogo, uma jogada estratégica que ajudou a construir uma base de usuários para a nova plataforma. Na época, muitos dentro da empresa duvidavam que o modelo funcionaria — especialmente por causa da lentidão da internet e da cultura de comprar jogos físicos.

"Ninguém acreditava que isso ia funcionar", diz Le. "Naquele tempo, a internet era lenta demais para baixar um jogo inteiro. Achávamos que o Steam seria um fracasso. Mas a gente não tinha noção do quão rápido a internet ia evoluir. Hoje, vendo o que o Steam se tornou, é impressionante".

Apesar das resistências internas, o Steam se tornou um dos pilares da indústria de jogos, transformando a forma como os jogos são distribuídos, especialmente no mercado brasileiro, onde o acesso a internet de qualidade cresceu significativamente nos últimos anos.