Um trecho de uma palestra de 2013 de Gabe Newell, fundador da Valve, está circulando com força na internet. O vídeo, extraído de uma conferência no LBJ School of Public Affairs da Universidade do Texas, mostra o executivo explicando por que a empresa escolheu não se tornar pública — e como isso se alinha com sua estratégia de contratar os “mais caros talentos do mundo”.
Na época, enquanto muitas empresas buscavam reduzir custos com terceirização em países com salários mais baixos, a Valve fez o oposto. Segundo Newell, o foco era atrair pessoas que geravam valor extremo, mesmo que isso significasse pagar salários muito acima da média. Ele citou um programador do Half-Life que, em um período pré-AI, entregava 4 mil linhas de código por dia — um nível de produtividade que, para ele, justificava um salário de até 5 milhões de dólares.
Esse modelo, que parece radical hoje, foi construído desde os primórdios da empresa, em 1996. Newell e Mike Harrington, seu sócio, tinham conversado com empresas de seguros, companhias aéreas e startups da Silicon Valley. E chegaram à conclusão de que “todo mundo estava indo na direção errada” — ou seja, priorizando custo em vez de qualidade e inovação.
Para o executivo, a decisão de permanecer privada foi essencial. Com a ausência de pressão por resultados trimestrais, a Valve pôde investir em pessoas, projetos de longo prazo e um ambiente de trabalho que valoriza autonomia. Resultado? Lucros por funcionário que deixam empresas como Microsoft e Meta de fora do jogo.
Apesar do tom quase didático, o vídeo ressoa com uma geração de trabalhadores que vive o envelhecimento do tech — com demissões em massa, cortes de orçamento e uma cultura de “enshittification” nas plataformas. A mensagem de Newell, que parece um manifesto contra o modelo atual, ganhou novo significado em 2026.
Atualmente, o vídeo está entre os mais assistidos do canal WebKnower, que antes era dedicado a conteúdos sobre Linus Torvalds, mas agora está focado em Gabe Newell — impulsionado pelo algoritmo do YouTube.