Garfield: Escape From Monday, novo jogo da franquia do gato preguiçoso, é um título que desafia qualquer tentativa de crítica séria. Desenvolvido pela OSome Studio e publicado pela Microids, o jogo se apresenta como um 3D platformer com fórmula batida: pular, correr, coletar itens e enfrentar chefes. Mas, como aponta o jornalista Giovanni Colantonio, o que realmente importa não é o que o jogo faz, mas quem ele foi feito para.

Colantonio, que se reconhece como fã de infância do Garfield, decidiu testar o jogo com a perspectiva de um garoto de 4º ano — uma abordagem que revela o verdadeiro público-alvo do título. O jogo, com sua arte simples, mecânicas repetitivas e humor forçado, não tem nada de original. Nada que lembre o estilo seco e sardônico de Jim Davis, o criador da tira.

A trama gira em torno de Garfield sendo jogado em um sonho onde enfrenta um chefão malvado que quer obrigá-lo a comer lasanha de legumes. O mundo é um caos de elementos alimentícios, com cidades de pão, nuvens de marshmallow e até um reino de doces. Mas o jogo não decide se é um pesadelo ou um paraíso — algo que confunde a narrativa, mas que, segundo o jovem Giovanni, é perfeito para um sonho.

As mecânicas são clássicas: saltos, rotação em bola (como o Sonic), voos e power-ups que transformam Garfield em um peru ou uma sereia. Esses momentos são vistos com entusiasmo pelo leitor infantil, que se diverte com a ideia de ver seu personagem favorito virar uma sereia e surfar. No entanto, o jogo não traz nenhuma inovação real — apenas clichês do gênero, com níveis que se repetem e desafios que se limitam a esquiva e ataque.

Colantonio critica duramente o resultado final: um produto que parece feito com pouco esforço, com vozes distorcidas (Garfield soa como um henchman de vampiro), design visual genérico e uma experiência sem desafio. O jogo é tão fácil que pode ser jogado em piloto automático. Mesmo assim, o autor reconhece que, para uma criança que ama Garfield, o simples fato de ver o gato no controle pode ser suficiente.

O único elogio consistente vem do personagem Odie, que, segundo o jovem leitor, é o destaque do jogo. Um sinal claro de que, para o público-alvo, o valor está na presença dos personagens, não na qualidade técnica.

Apesar da crítica dura, o texto não nega que o jogo tem seu lugar — especialmente no mercado brasileiro, onde jogos de licença infantil ainda têm espaço em lojas de brinquedos e em promoções de fim de ano. Para uma criança que vive de Garfield, o jogo pode ser um presente perfeito. Para qualquer outro, é apenas mais um título que passa despercebido.

Marca: www.polygon.com