Com um nome que parece um trocadilho de brincadeira, o novo seriado animado Golden Axe já se tornou um dos grandes sucessos silenciosos do streaming em 2026. Produzido pela Paramount Plus, a série é uma adaptação ousada de um dos jogos mais esquecidos da era NES — um título de ação em estilo fantasia medieval que, nos anos 80, era mais conhecido por sua estética exagerada do que por qualquer narrativa profunda.
Os criadores Mike McMahan e Joe Chandler, que também atuam como showrunners, contam que a ideia surgiu quando McMahan foi procurado por um executivo da Sega para adaptar qualquer um dos seus títulos. Ele não hesitou: escolheu Golden Axe, um jogo que marcou sua infância em um acampamento de verão em Chicago, onde jogava de graça em máquinas arcades.
"Quando você é criança, tudo é amplificado", diz McMahan. "Para muitos, Golden Axe é só mais um jogo de ação. Mas para mim, era uma experiência épica."
O seriado não apenas reinterpreta o universo do jogo, mas explora com humor e ironia os elementos mais estranhos da franquia original. Um dos principais alvos é o nome do protagonista, Ax Battler — um guerreiro que carrega uma espada gigante, apesar de o nome sugerir que ele usa um machado. "É loucura", diz McMahan. "Foi uma das primeiras coisas que colocamos na lista de tarefas: precisamos resolver isso."
Outro ponto central é a figura dos Thieves, pequenos gnomos que, nos jogos originais, só apareciam para serem chutados e liberar poções de energia. Na série, eles ganham uma história própria: são viciados em serem atacados, e um deles, em um episódio emocionante, revela um segredo familiar que o faz viver uma vida de mentiras para esconder seu verdadeiro desejo.
"Eles não são só um mecanismo de jogo", diz McMahan. "São personagens com motivação, com dor, com um ponto de vista. E, sim, eles se divertem sendo chutados."
A trama principal gira em torno da frustração do anão Gilius Thunderhead, o terceiro maior guerreiro do mundo, que se sente ignorado ao lado do barbárico Ax Battler e da guerreira Tyris Flare. Quando ele decide partir sozinho, a série ganha um tom de drama com humor, explorando temas como identidade, reconhecimento e o peso de ser o ‘menor’ em um grupo de heróis.
Apesar de o vilão Death Adder ter sido derrotado no final da primeira temporada, os criadores já confirmam que ele sempre volta nos jogos — e o mesmo pode acontecer na série. "Death Adder sempre volta", diz Chandler. "E temos várias ideias para novas aventuras."
Apesar de existirem planos para cruzamentos com outras franquias da Sega — como Sonic ou Crazy Taxi — os criadores afirmam que querem primeiro se aprofundar no mundo de Yuria. "Estamos orgulhosos da primeira temporada. Queremos explorar mais esse universo antes de pular para outros", diz McMahan.
Com 10 episódios repletos de ironia, referências nostálgicas e uma estética visual cheia de elementos surreais — como um vilarejo em cima de uma águia ou uma cidade no dorso de uma tartaruga — Golden Axe se consolida como uma das séries mais originais do ano, mostrando que até os jogos mais esquecidos podem virar grandes histórias, se tiverem um bom roteiro e um olhar crítico.
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