Greg Zeschuk, co-fundador da BioWare e um dos nomes mais influentes da indústria de games, voltou a falar sobre a recente aquisição e encerramento da estúdio por parte da Electronic Arts. Em entrevista rara, ele destacou que, embora lamentável, o fim da BioWare é menos preocupante do que o impacto nos funcionários que agora estão desempregados.
Zeschuk, que há mais de uma década se afastou do setor para se dedicar a um cervejaria em Alberta, Canadá, disse que soube da notícia enquanto estava em uma pescaria. Ele não se sentiu presente no momento, o que, segundo ele, ajudou a processar a dor com mais calma. 'Não estive lá para compartilhar o momento, o que, em certos aspectos, foi bom porque pude levar meu tempo com isso.'
Para ele, o maior problema não é o fim da marca, mas sim o que isso representa para a cidade de Edmonton, seu berço. 'Foi um farol de esperança e possibilidade em um lugar que não era conhecido por isso. Mostramos que dava para fazer algo especial longe dos grandes centros.'
Apesar de ter se afastado há anos, Zeschuk não se arrepende da aquisição pela EA. Ele acha que a estabilidade trazida pela gigante foi positiva para o crescimento da BioWare. No entanto, ele previu problemas após a compra da EA pelo fundo soberano saudita PIF, já que o modelo de negócios do grupo não combina com o estilo de jogos complexos e de longo prazo que a BioWare produz.
Um dos pontos mais fortes da entrevista foi sua crítica aos executivos atuais da indústria. 'Nenhum desses caras já fez um jogo', afirmou. 'Nem sequer sentou para criar um, mesmo que pequeno, do começo ao fim. Eles não entendem como isso funciona.'
Ele reforçou que a ideia de que jogos podem ser replicados com equipes aleatórias e inteligência artificial é ingênua. 'Isso não funciona. O que torna um jogo especial é o processo humano, a paixão, os erros e acertos ao longo de anos.'
Zeschuk, que já passou pelo 'forno' da produção de jogos, disse que não tem intenção de voltar. 'Foi hora de ir embora. Saí sem querer voltar. Estou feliz sendo apenas um jogador, com minhas opiniões, mas não quero passar por isso de novo. O custo pessoal é muito alto para reconstruir algo grande.'