Harvey Smith, diretor de Dishonored e co-criador da franquia, acredita que ainda há espaço para jogos de imersão de grande orçamento — desde que a produção esteja bem estruturada. Em entrevista ao PC Gamer, ele destacou que, quando tudo se alinha com orçamento, equipe e criatividade, o resultado pode ser algo como Deus Ex ou Dishonored.
Smith, que recentemente deixou a Arkane para fundar sua própria estúdio, Black Pony Immersive, discute o debate atual sobre o tamanho dos jogos de imersão. Enquanto Randy Smith Evergreen, designer de Thief, argumenta que o público desses títulos é pequeno demais para justificar AAA, Harvey discorda. Ele acredita que o modelo pode funcionar em qualquer escala — desde um jogo curto de duas horas até um grande projeto com profundidade narrativa e mecânica.
Para ele, o grande perigo não está no orçamento em si, mas na conservadoria que ele pode trazer. "Você não pode se tornar tão conservador com as features que acaba eliminando as partes divertidas e criativas dos imersivos", afirma.
Um exemplo citado por Smith é o uso criativo de minas magnéticas em Deus Ex, algo que não estava no planejamento original, mas que se tornou um dos momentos mais icônicos do jogo. "Isso acontece porque a IA é analógica, a física é completa e os jogadores têm espaço para observar, planejar e improvisar", diz.
Apesar de reconhecer os riscos, Smith acredita que o potencial dos imersivos ainda está por vir — especialmente em um mercado onde a criatividade pode se destacar mesmo entre títulos de grande porte.
Foto: Sklathill / Openverse