Heartworm é um dos melhores exemplos recentes de como homenagear o passado do horror sobrevivência sem cair na repetição. O jogo coloca o jogador no lugar de Sam, uma jovem que busca contato com o mundo dos mortos usando apenas uma câmera. Seu caminho leva por casas abandonadas, corredores liminais e um templo surreal, onde a luz do flash da câmera se torna sua única defesa contra as trevas.

Desenvolvido por Vincent Adinolfi e publicado pela DreadXP, o jogo chegou a todos os principais consoles — PS5, Xbox Series X|S, PS4, Xbox One, Nintendo Switch e Switch 2 — com uma versão já disponível no PC. A experiência é imersiva, com controle fluido, atmosfera densa e um design de nível que evoca títulos como Silent Hill, Resident Evil e Clock Tower, mas com um toque indie e moderno.

O destaque está na mecânica da câmera. Em vez de ser apenas um objeto decorativo, ela é essencial: o flash ilumina trechos escuros, revelando caminhos, criaturas e pistas. Esse sistema cria tensão constante, especialmente nas primeiras horas, quando a escuridão é total e o menor ruído pode indicar perigo.

Cada área tem um estilo distinto — de corredores de casas suburbanas a florestas cheias de ameaças silenciosas — e traz referências sutis a outros clássicos do gênero. O visual com estática de TV e o uso constante da câmera criam uma identidade visual única, mesmo quando o jogo se inspira em títulos antigos.

O tempo médio para concluir o jogo varia entre 4 e 6 horas, dependendo da paciência com os puzzles e da necessidade de salvar frequentemente. Os capítulos são bem definidos, permitindo pausas sem perder o fio da meada.

Apesar de algumas referências explícitas no final — que podem quebrar a imersão para alguns — o jogo mantém seu foco no terror psicológico e na exploração. O início, em uma casa abandonada, é especialmente marcante, com uma construção de tensão que lembra os melhores momentos dos clássicos.

Atualmente, o jogo está disponível por cerca de R$ 70 nos consoles e R$ 50 na Steam (com promoção de 40%). É um ótimo custo-benefício para quem busca uma experiência curta, intensa e cheia de alma — especialmente no mercado brasileiro, onde títulos de horror com esse estilo são cada vez mais valorizados.