Em junho de 2026, Hideo Kojima recebeu um chamado da Sony para uma reunião por Zoom. Na época, ele estava trabalhando em dois projetos simultâneos: OD, para o Xbox, e Physint, o sucessor espiritual de Metal Gear Solid, que a Sony havia apoiado como exclusivo. O encontro, no entanto, mudaria tudo.
Segundo Kojima, a Sony anunciou que não continuaria financiando o desenvolvimento de Physint. O estúdio foi deixado de lado. Ele descreveu a reação como um choque tão grande que sua mente ficou em branco. "Eu não conseguia processar o que estava acontecendo", disse. "Não havia raiva, nem tristeza — apenas a pergunta: o que eu faço com meu estúdio agora?"
Kojima Productions é uma empresa independente que vive de contratos por projeto. Com dois jogos em andamento — OD e Physint — a perda de um significava risco iminente de colapso. A empresa já tinha dívidas com bancos, e o cancelamento de um projeto poderia desencadear um problema financeiro grave.
Além disso, ele já havia feito escaneamento de atores e estava em negociação com artistas. A ideia de anunciar o fim do projeto lembrava demais o destino trágico de P.T., o projeto que o marcou e foi cancelado sem aviso. "Eu não queria passar por isso de novo", afirmou.
Com a mente em claro, Kojima reuniu seu time interno — Shinji Hirano e Aki Saito — e decidiu não divulgar a notícia ainda. Em vez disso, começou a pensar em novas formas de continuar o projeto. "Não era só sobre dinheiro", explicou. "Precisávamos de suporte técnico, marketing, testes em campo. E isso não dá para fazer sozinho."
Ele então começou a buscar parcerias fora da indústria de games. Pensou em estúdios de cinema, plataformas de streaming, empresas de animação. A ideia era criar um IP integrado, com elementos de séries, filmes, música e quadrinhos — uma narrativa transmedia, como ele sempre sonhou.
Na prática, o primeiro contato foi com a Xbox. A resposta foi imediata: "Essa apresentação foi fantástica. Nunca vimos algo assim antes." O apoio técnico foi garantido, assim como a continuidade do desenvolvimento. Em poucos dias, o projeto estava sob o novo abrigo.
Após três dias da reunião com a Sony, Kojima reuniu os líderes da equipe de Physint. Explicou a situação, mas garantiu: "Vou encontrar um novo parceiro. Não se preocupem." Alguns membros foram transferidos para o time de OD, mas ninguém saiu. Na verdade, a equipe continuou criando materiais para a nova apresentação com entusiasmo.
"Eles estavam animados, criando tudo com alegria. Fiquei surpreso. Tinha gente velha, experiente, mas ninguém foi embora. Ninguém pediu para sair", disse Kojima, com orgulho.
Apesar do choque inicial, o desenvolvimento de Physint não parou. Kojima continua trabalhando no conceito, nos sistemas, na narrativa e nos personagens. A engine ainda está em experimentação — ele não decidiu ainda se usará Decima ou outra. A Xbox, no entanto, ofereceu acesso a laboratórios com tecnologia de ponta, algo que o impressionou profundamente.
"Era como se tivesse um Doc Brown do 'De Volta para o Futuro' em cada canto", brincou. "Quero usar tudo isso. Quero criar algo que ninguém viu antes."
Atualmente, o projeto segue em andamento com um time reduzido, mas focado nas partes essenciais. A equipe interna foi informada do novo acordo com a Xbox de forma tranquila. "Todo mundo reagiu bem. Foi uma surpresa positiva", disse Kojima.
Em nota, o Kojima Productions afirmou que o estúdio está "em estado saudável e lucrativo", que o desenvolvimento de Physint continua com a Xbox e que a relação com a Sony permanece forte. A mudança de plataforma não foi um rompimento — foi uma reinvenção.