In Falsus, lançado recentemente pela Lowiro, mistura ritmo, visual novel e elementos de quebra-cabeça em um pacote que promete muito, mas entrega de forma desigual. O jogo, criado por um estúdio com histórico em títulos como Arcaea, traz uma jogabilidade de alta exigência, com streams de notas rápidas e controle por mouse, típico dos arcades japoneses.

Apesar da qualidade técnica e do elenco de músicas impressionante — com composições de nomes como Feryquitious, Camellia, TAK e REDALiCE — o acesso a quase toda a trilha sonora está condicionado à progressão da história. O que pode ser aceitável para quem curte narrativas, mas se torna um obstáculo para quem quer apenas jogar.

A trama, centrada em adolescentes com colares que revelam suas emoções por cores, tem um conceito interessante, mas é executada com um tom de fanfiction mal escrita. O texto é repetitivo, os diálogos são forçados e o sistema de avanço da história é enganoso: o botão de "pular" na verdade é um avanço rápido que ainda obriga a ler todos os trechos considerados "importantes".

Apesar disso, o jogo possui algumas das melhores faixas de ritmo dos últimos anos. Músicas como *Cryogenic*, *Deep Into The Vibe* e *Memories in Noise* se destacam pelo ritmo cativante e pela produção refinada. A mistura entre pop, experimentalismo e batidas complexas faz de In Falsus um dos rhythm games mais promissores da atualidade — se não fosse pela barreira narrativa.

Para o público brasileiro, o jogo está disponível no Steam, com preço em dólares. A ausência de um sistema de liberação de músicas independentes da história limita seu potencial como um título para fãs de ritmo puro. Ainda assim, quem gostar de narrativas visuais pode encontrar algo de valor, mesmo que o roteiro não consiga sustentar o brilho das faixas.